Itatinga, patrimônio a ser preservado

Vila abriga a primeira Usina Hidrelétrica do Brasil que em 2010 completará 100 anos em atividade

Da Redação
Publicado em 01/03/2019, às 20h58 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h01

- JCN


Considerada um verdadeiro santuário ecológico,a Vila de Itatinga conta com uma rica variedade de ecossistemas por estar localizada em plena Mata Atlântica e encrustada no Sopé da Serra do Mar.Construída pelos ingleses no século XIX, ela ainda mantém as características originais e também abriga a primeira Usina Hidrelétrica do Brasil que, em 10 de outubro de 1910, passava a gerar energia para o Porto de Santos, o que acontece até hoje, com seus equipamentos e instalações em perfeitas condições.

A preocupação em manter intacto esse patrimônio histórico, cultural e ambiental desencadeou manifestação popular e de autoridades municipais e estaduais que resultou no pedido de tombamento de toda a área que tramita no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).A abertura do procedimento, chamado “guichê” e protocolado sob o número 00725/99, em 29 de dezembro do mesmo ano, já assegura a preservação da Vila que foi tema de audiência pública no último dia 11, na Faculdade Bertioga, quando o objetivo foi debater o futuro desse patrimônio.

A boa notícia para a comunidade veio do próprio presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, José Roberto Serra, que anunciou: “não faz parte dos planos da Codesp privatizar Itatinga”. Por sua importância histórica e ambiental, avila mantida pela estatal também será beneficiada com obras de recuperação das casas em estilo inglês e de todo o entorno como aconteceu com a usina. Nos últimos dois anos, a Codesp investiu R$ 10 milhões na reforma do sistema para geração e distribuição de energia dentro do programa de modernização que prevê aumentar a capacidade da usina de 15 para até 18 megawatts. E, junto com o município e a comunidade, a Codesp espera que sejam desenvolvidas ações e projetos ambientais e ecoturísticos que visem, acima de tudo, manter preservado esse patrimônio de Bertioga.



Paraíso escondido

Construída para abrigar a usina, a Vila de Itatinga encanta por suas casas, tipicamente inglesas,todas iguais e dispostas ao longo de uma única rua.Entre as construções com características do séculoXIX está a Capela Nossa Senhora da Conceição.

No local não entram carros e o acesso é feito por barco e um bondinho que percorre 7,5 quilômetros,cortando mangues e riachos até chegar à vila.



No caminho para Itatinga, que começa no portinho após a travessia de barco pelo rio Itapanhaú, é possível observar as ruínas da Capela de Nossa Senhora dos Pelaes que datam do século XVIII.

Porém, as principais atrações ficam por conta da natureza e das inúmeras trilhas ecológicas que levam a verdadeiros paraísos cercados pela flora e fauna da Mata Atlântica. Muitos desses caminhos viraram roteiros turísticos que só podem ser explorados por agências credenciadas pela Codesp e Prefeitura de Bertioga.

Entre os roteiros, há várias trilhas como a dos Três Poços, que leva a piscinas naturais de águas cristalinas depois de uma caminhada que não é muito complicada. Passando por uma ponte localizada atrás da usina hidrelétrica, chega-se, também,às margens do rio Itatinga com suas águas límpidas e pedras brancas que formam um cenário especial.O próprio caminho feito pelo bondinho é uma atração à parte passando por riachos em trechos que cortam a Mata Atlântica.



Em atividade desde 1910

Em Itatinga, impressiona os turistas a construção da usina hidrelétrica que está ligada à história do Porto de Santos. Em 1903, a Companhia Docas de Santos, administrada pelas famílias Guinlee Gaffrée, comprou a Fazenda Pelaes, no sopé da Serra do Mar, em Bertioga. O objetivo era através da construção de uma usina própria, poder dar seqüência às melhorias técnicas do Porto de Santos.Projetada pelo engenheiro Guilherme Benjamin Weinschenk, a usina começou a ser construída em agosto de 1905 e foi inaugurada em 10 de outubro de 1910.

Sua energia destinava-se a eletrificação das instalações do porto, iluminação geral do cais, armazéns e escritórios. Basicamente a água que abastece a usina vem do rio Itatinga, localizado no limite entre os municípios de Bertioga e Mogi das Cruzes.A captação da água é feita a uma altura superior a 900 metros na curva do rio onde antes existia uma cachoeira. A Usina de Itatinga sempre foi operada pela empresa administradora do porto, inicialmente a concessionária particular Companhia Docas de Santos e, a partir de 1981, pela sucessora a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) responsável pela manutenção da vila até hoje. Desde sua construção, a usina vem operando ininterruptamente e sua capacidade possibilita a Codesp manter o funcionamento das instalações portuárias.