Índios vivenciam dilema entre tradição e realidade

Da Redação
Publicado em 17/07/2019, às 06h52 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h11

- Pedro Rezende/Arquivo


Os 280 índios tupi-guaranis da Reserva Indígena Rio Silveira - localizada em Boraceia, na divisa de Bertioga com  São Sebastião -, que vivem nos 948 hectares demarcados pelo governo federal desde 1987, ao mesmo tempo que querem preservar sua cultura, afastando-se do homem branco, necessitam desse para sobreviver. Esse conflito existente há quase 500 anos atenua-se quando, por exemplo, a pesca e a caça ficam impossíveis devido à implantação de condomínios e a construção de estradas que acabam afastando os animais.

Por outro lado, a Secretaria de Saúde da prefeitura é a primeira do país a desenvolver um programa de tratamento bucal com a implantação de próteses para cerca de 60 dos 151 índios atendidos por esse setor. Outro serviço é mantido há um ano e meio pelas prefeituras de Bertioga e São Sebastião, através de um posto de Saúde, que oferece assistência médica e odontológica.



Em contrapartida, o cacique Papa Mirim Poty, também conhecido como Carlos Fernandes, aproveita para chamar a atenção de autoridades municipais e da Fundação Nacional do Índio (Funai), que visitaram sua comunidade no dia 19 de abril deste ano, Dia do Índio, lendo uma declaração à sociedade.

“Os povos indígenas estão unidos pelo círculo da vida no meio ambiente do maior ao menor ser vivente e pelas estações que o criador nos colocou: água, terra e ar. Consideramos a terra como nossa mãe. Nós, povos indígenas, caminhamos em direção ao futuro, nas trilhas de nossos antepassados, porque suas pegadas estão permanentemente gravadas nas terras de nossos povos". Para se preservar a língua tupi, foi instalada uma escola na aldeia, pois os índios têm essa preocupação. A língua portuguesa e as matérias ensinadas na rede pública, também serão estudadas pelas crianças da aldeia. Esse foi o meio escolhido para que os índios saibam como lutar no meio dos brancos e pelos seus direitos, a fim de manterem suas tradições. 



 Cultura - A comunidade do Rio Silveira está dividida em quatro aldeamentos  pela região de Boraceia, morro do Cedro, Cachoeira da Anta e Barra do Uma. Nestes locais, os índios preservam sua cultura com celebrações na Casa da Reza, onde são feitos os rituais de pajelança - a comunidade dança e reza pelo futuro do pajé e o batismo natural. Esse último é sempre realizado no dia 10 de janeiro de cada ano. Todas as crianças que nasceram na reserva devem participar do batismo que começa as 4 horas da manhã.

Sobrevivência: a comunidade indígena vive basicamente da venda de artesanato, de objetos peculiares como o tacape, arco e flecha, cestas e chocalhos - confeccionados por eles mesmos. Outro meio é a venda de palmito nas feiras-livres das cidades próximas à reserva. Além da criação de peixes, alguns desenvolvem plantações de banana, mandioca e batata-doce, também com o objetivo de comercialização.