Em seu refúgio, Vicente de Carvalho teve as melhores inspirações, que se transformaram em relíquias literárias
Da Redação
Publicado em 07/10/2019, às 13h39 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h13
O destino reservou a Bertioga a possibilidade de atrair ilustres nomes da história do Brasil. Suas belezas naturais encantaram poetas como Vicente de Carvalho, que fez do Indaiá o seu refúgio, um local privilegiado onde hoje está situada a área e residência do empresário Antônio Ermírio de Moraes. Aquele mesmo canto abrigou a casa do poeta, advogado e jornalista, que foi batizada de Sítio do Indaiá em homenagem a uma espécie de palmeira que existe na região, e depois passou a denominar todo o bairro.
O grande poeta da cidade de Santos nasceu em 5 de abril de 1866, vivendo toda a sua infância na cidade. Em 7 de março de 1888, casou-se com Ermelinda Mesquita, com quem teve 15 filhos. Eles moraram no Indaiá até 1923 quando a propriedade foi vendida ao empresário Ermírio de Moraes.
Sempre fascinado pelo mar, Vicente de Carvalho percorria de barco todas as praias do Litoral Paulista de Cananéia a Ubatuba. Um dia, em 1917, encontrou o que denominou de seu paraíso ecológico.
Sua casa de madeira com paredes duplas foi inspirada em construções de amigos de Santa Catarina, local de onde saíram as peças, e que foram enviadas por ferrovia para erguer o recanto de Vicente de Carvalho, que chegou a receber mais de 300 convidados ilustres. Importantes reuniões políticas e com intelectuais da época aconteceram na casa do Indaiá onde se hospedaram, por exemplo, o ex-presidente Dr. Washington Luis, José Maria Whitaker, Samuel de Toledo e Macedo Soares, entre outros.
Considerado romântico, quanto à inspiração, e parnasiano ou realista, quanto à forma, o “Poeta do Mar”, como era conhecido, deixou obras importantes como Poemas e Canções, que atingiu sua 17ª edição, um fato raro na literatura brasileira.
Vicente de Carvalho faleceu em 22 de abril de 1924, em Santos, mas deixou verdadeiras relíquias da literatura, a maioria ressaltando o mar, seu assunto predileto. No mar, ele via tudo o que de mais forte e sublime a natureza colocou ao alcance do homem sobre a terra. Era natural que suas mágoas amorosas fossem exaltadas nos murmúrios do mar.