Da Redação
Publicado em 16/07/2019, às 07h28 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h10
Há mais de trinta anos, a área onde hoje se situa a Riviera de São Lourenço pertencia a três moradores de São Paulo: José Aparecido Ribeiro, Sérgio Levy e Mello Peixoto. Naquela época, os nove milhões de metros quadrados ocupados atualmente pelo empreendimento eram apenas uma densa floresta. Viver em Bertioga era uma aventura, mas os pioneiros da Riviera de São Lourenço enfrentavam com romantismo a situação, como lembra dona Hilda Ribeiro, viúva de José Aparecido. Na entrevista a seguir, dona Hilda lembra a rotina daquele tempo e também fala da Bertioga dos dias atuais:
Costa Norte - Em sua opinião, Bertioga está melhor para se viver, atualmente? Ou era melhor há algumas décadas atrás?
Hilda Ribeiro - Era muito romântico atravessar o canal de canoinha; ficávamos à luz do lampião a gás. No entanto, o progresso fez com que mais pessoas desfrutassem deste mar calmo e praia lisa.
CN - Qual foi o acontecimento que mais marcou a história de Bertioga desde que a senhora chegou aqui?
Hilda - Acho que o que mais marcou a história de Bertioga foi o advento da eletricidade, a balsa e a municipalização.
CN - Como sua família chegou a Bertioga?
Hilda – Não chegamos para morar, passávamos todas as férias de fim de ano (três meses) e de julho (um mês), meu marido, eu e filhas. No início, atravessávamos o canal de canoinha e ficávamos no Indaiá, numa casinha no meio do mato.
CN - O que levou sua família a vir para esta região do litoral paulista? A senhora esperava que a Riviera de São Lourenço viesse a se tornar um grande empreendimento?
Hilda - Por amor a Bertioga. Claro que esperava, pois o doutor Ribeiro, meu marido, era um homem realizador e de muita visão, sabia que daria certo este grande empreendimento.
CN - A emancipação político-administrativa de Bertioga foi boa ou ruim, em sua opinião?
Hilda - Em minha opinião, foi muito boa essa emancipação.
CN - E quanto ao futuro da cidade? Qual o papel que está reservado para Bertioga? Seremos um grande polo turístico, em sua opinião?
Hilda - Acho que seremos um grande polo turístico, aliás, já estamos sendo, com muita cultura e música.
CN - Há algum fato pitoresco que a senhora ou sua família tenham vivido em Bertioga?
Hilda - O que considero um fato pitoresco é quando nos aventurávamos na mata, o que chamávamos de "fundão", beirando o rio Itapanhaú, onde ainda havia trecho de estrada de ferro e vagão que transportava banana. Chegávamos até a andar neste vagão. Foi um fato inédito.