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Publicado em 26/06/2019, às 12h11 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h10
A família Quirino é uma das mais tradicionais de Bertioga. Antonio Quirino, 64 anos, entende que esse fator se deve aos parentes do passado e ao grande número de outros que vivem na cidade. "Não consigo ter ideia desse total", conta. De origem simples, eles residem, em sua maior parte, no bairro Jardim Indaiá.
Quirino trabalhou na Colônia de Férias do Sesc, no município, durante 30 anos, onde realizava serviços gerais e do setor de almoxarifado, até se aposentar. Atualmente, continua em atividades diversas como de capina, entre outras. “Vida de aposentado no Brasil é assim", comenta.
Ele explica que sua família é composta por uma boa mistura de raças. "Meu avô paterno, Quirino Pinto, era negro e se casou com uma portuguesa. Eles adotaram meu pai Teodoro, nascido em Itaguaré, Bertioga, que morreu há cerca de cinco anos". Antonio Quirino, por sua vez, é casado com Irma, com quem teve 12 filhos. O casal também já tem 13 netos.
Antonio Quirino tem lembranças de seus sete anos de idade. "Bertioga era uma vila tomada pelo mato. As casas eram bem simples e dava para contá-las facilmente. Não havia meios de comunicação". Ele recorda que, com a falta de energia elétrica, a maioria dos trabalhadores encerrava suas atividades no final da tarde. Acrescenta ainda que a pesca era intensa, até a década de 1960. "Lembro quando foram pescados 13 cações de 90 quilos”.
“A praia do Indaiá deve estar com pelo menos meia dúzia de carros perdidos. Os motoristas menos avisados passavam pela barra, onde os veículos atolavam rapidamente. Com o movimento da maré, era muito difícil encontrá-los". Quirino lembra que um Simca Chamboard desapareceu no local.
Tempos de hoje
Para ele, Bertioga era melhor apenas quanto ao aspecto de segurança, nos anos passados: "Vivíamos mais tranquilos". Quirino ressalta a maior facilidade de transporte atualmente. "Perdi um filho de dois anos por falta desse recurso". A criança, que estava doente, morreu em seus braços, quando ele tentava levá-la do Indaiá até o Centro, a pé, a fim de conseguir socorro. Antonio Quirino afirma que a implantação da Colônia de Férias do Sesc foi um dos momentos de maior importância para a cidade, já que abriu o campo de trabalho. "O Sesc forneceu o primeiro caminhão para o transporte de moradores do bairro, que precisavam ir ao posto de saúde, no Centro".
Quanto à emancipação político-administrativa do município, ele lembra que aconselhou muita gente, ressaltando a luta de Pérsio Dias Pinto no movimento. "Eu quis ver Bertioga livre de Santos, que fez pouco para nossa comunidade, apenas obrigação. "A continuidade da Avenida Anchieta, por exemplo, não foi asfaltada até hoje,
apesar de eu ter ouvido promessa há muitos anos”. Ele espera que a administração pública de Bertioga, agora, cuide melhor do serviço de saúde e do setor de educação, "As pessoas que têm consciência sobre seus direitos podem lutar e trabalhar melhor para si e para todos em geral" conclui.