Da Redação
Publicado em 26/06/2019, às 12h20 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h10
Aproximadamente 225 índios vivem atualmente na região de Bertioga. Eles habitam a Reserva Indígena Ribeirão Silveira, entre os municípios de Bertioga e São Sebastião, que abrange 9 milhões e 180 mil metros quadrados. Do centro comercial do município até a reserva, são cerca de 40 quilômetros, pela rodovia Rio-Santos.
A reserva foi assegurada aos indígenas pelo decreto federal 94.968, de 8 de julho de 1987. Nela habitam nativos da etnia guarani, mais precisamente, dos subgrupos Mayã e Nändeva. Eles têm sua própria estrutura organizacional, sendo que não há presença de brancos nos povoados. Nas demais aldeias existem pequenas lavouras de banana, mandioca, miIho e feijão, mas a área plantada é insuficiente para o consumo do ano todo. Há também criações de pequenos animais, como galinhas. Os índios ainda praticam a caça dentro da reserva, onde existem animais como tatus, quatis e vários tipos de ave. A caça é feita de modo antigo, com arcos, flechas e laços.
Os membros da aldeia ainda confeccionam peças de artesanato típico de sua cultura, que são vendidas nas feiras livres das cidades vizinhas e na rodovia Rio-Santos, principalmente na época de temporada. O trabalho é dividido. Os homens fazem as cestas, zarabatanas, espadas, machadinhos, arcos e flechas; as mulheres se ocupam com os colares, pulseiras e uma espécie de chocalho, chamado maracá.
A manufatura das peças varia com períodos lunares, dos quais os índios dependem para retirar os cipós e plantas. Estas fases regulam o crescimento e a maturidade dos vegetais. Os artesanatos de uso doméstico (pilões e bancos) e religiosos (cachimbos e colares), não são vendidos. Essas peças são fabricadas somente sob encomenda, para museus e exposições, e são vendidas novas. Muito raramente eles aceitam negociar com esse tipo de peças já usadas.
Atualmente, a comunidade da reserva aguarda a implantação de água potável na área, assim como no bairro de Boraceia. É que a Sabesp deverá concluir as obras. Paralelo a isso, os índios também deverão contar com uma enfermaria e escola. A prefeitura assinou termo de intenção em contribuir para a viabilização dos recursos.
A enfermaria e a escola foram reivindicados pela Funai, protetora dos índios, em troca da utilização da reserva para a continuidade das obras de rede de água. Em meio às declarações da Sabesp, sobre a impossibilidade de atender às solicitações enquanto empresa, o prefeito Mauro Orlandini assumiu o compromisso.