Bela adormecida

Última cidade da Região Metropolitana da Baixada Santista a receber o turismo de massa, a partir de 1990, Bertioga amargou um longo ostracismo em relação aos demais municípios por depender do transporte marítimo de Santos, de quem se emancipou politicamente há 21 anos

Da Redação
Publicado em 09/04/2019, às 08h44 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h09

- Arquivo JCN


A busca atual é pela concretização de seu desenvolvimento sustentável, no sentido de preservar seus recursos ambientais, sem deixar de atender a qualidade devida de seus habitantes,que já passam de 47 mil.

A beleza de Bertioga é incontestável. Espremida entre o Oceano Atlântico e o imenso paredão da Serra do Mar, exibe toda a vivacidade juvenil de uma cidade ainda em desenvolvimento. Afinal, ela chega à maioridade neste dia 19 de maio.



Seus principais atributos são os rios,cachoeiras, manguezais, praias, restinga e Mata Atlântica, em perfeito estado de conservação. Tais características refletem o fato de Bertioga ter sido a última cidade da Região Metropolitana da Baixada Santista a receber o turismo de massa, por conta do seu isolamento até a década de 1980.

A dependência marítima foi responsável pela dormência da região por muitos anos. Depois de testemunhar grandes conflitos entre índios, portugueses e franceses; acompanhar as saídas de naus, cujos destinos eram a fundação das cidades de São Vicente e Rio de Janeiro; hospedar o histórico artilheiro Hans Staden, e “brilhar”com as luzes de óleo de baleia, Bertioga entrou no século XX como um simples núcleo de pescadores.



Sem luz ou água encanada, exercia o papel de zona rural de Santos e ponto de descanso para pequenas embarcações de caiçaras que percorriam grandes distâncias entre Santos e o litoral norte.O deslocamento de seus escassos moradores para Santos era feito apenas comas lanchas da então Cia. Docas de Santos, hoje Codesp, entre o porto e um pequeno terminal ferroviário de transporte do pessoal de manutenção da Usina Hidrelétrica de Itatinga, com atracadouro às margens do Rio Itapanhaú. 

Na década de 1930, a Cia. Santense de Navegação, subvencionada pelo estado, passou a executar a travessia entre Bertioga e Santos pelo Canal de Bertioga, por meio de barcas, em uma cansativa viagem de, no mínimo duas horas. A primeira alternativa via terrestre surgiu no final de 1930, uma estrada de rodagem entre a Praia do Perequê, em Guarujá, e o Canal de Bertioga, construída pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes, que na época havia adquirido um imóvel no bairro do Indaiá.



Na década de 1940, Bertioga come-çou a se destacar como centro balneário.Em 1946, um grupo de comerciantes resolveu construir a primeira colônia de férias do Brasil, justamente na tranquila e pacata Bertioga. Nasceu, assim, a Colônia de Férias Ruy Fonseca - Sesc Bertioga, inaugurada em 31 de outubro de 1948. Hoje a maior da América Latina.

Em 1954, a estrada de rodagem criada por Antônio Ermírio de Moraes passou à jurisdição do Departamento de Estrada de Rodagem - DER, quando foi inaugurado o serviço de balsas.Contudo, apenas no final de 1958 a via Guarujá-Bertioga foi asfaltada. Deu-se início, então, à construção de residências de veraneio, principalmente na região da Praia da Enseada.



Em 1959, o serviço de travessia entre as cidades de Guarujá e Bertioga registrou o número de 13.290 veículos.No ano seguinte, passou para 29.438.Uma mostra do que viria pela frente. 

Hoje são cerca de 600 veículos diariamente, segundo a assessoria de comunicação da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.).



A década de 1970 trouxe boas notícias para o isolado povoado, formado por 2.572 habitantes. Uma delas foi a construção da rodovia Rio-Santos (BR101) - concluída em 1972, que serviu de ligação entre os portos de Santos e São Sebastião e principal impulso ao turismo da cidade. A outra chegaria em 1979, quando do início da implantação do megaempreendimento Riviera de São Lourenço. Bertioga nunca mais seria a mesma.

Mas a projeção da então vila de pescadores como opção turística em âmbito nacional só teve início a partir da integração entre as rodovias Rio--Santos e Mogi-Bertioga, em 1982, e a construção da ponte sobre o Rio Itapanhaú, em 1985.



A década de 1990 trouxe, afinal, a independência. Em 1991, por meio de plebiscito, a população local, formada por 11.473 habitantes, decidiu pela separação da sede municipal santista.A criação do município foi oficializada pela Lei Estadual 7.664 de 30 de dezembro de 1991 e sua instalação deu--se em 1993, com posse de prefeito e vereadores, dando início a construção da cidade que temos hoje.

Em 2000, a população de Bertioga já era de 30.093 (IBGE). Em 2002, a inauguração da segunda pista da Rodovia dos Imigrantes veio reduzir substancialmente o tempo de percurso entre o litoral e o planalto. De lá para cá, tem sido constante o aumento de turistas e de investimentos na cidade, que não para de crescer e se firma como uma das principais apostas do mercado imobiliário da região. Em 2012, a busca é pela concretização de seu desenvolvimento sustentável, no sentido de preservar seus recursos ambientais, sem deixar de atender a qualidade de vida de seus habitantes, que já passam de 47 mil, segundo dados do IBGE.