Artilheiro alemão capturado pelos índios em Bertioga será personagem de filme
Da Redação
Publicado em 30/07/2019, às 07h55 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h11
Um episódio ocorrido há quase 500 anos, nos arredores do Forte São João, localizado no centro de Bertioga, em breve estará sendo mostrado nas telas de cinema. O filme Hans Staden - Lá Vem Nossa Comida Pulando!, do diretor Luiz Alberto Pereira, vai contar a saga do famoso artilheiro alemão Hans Staden, que foi aprisionado pelos índios tupinambás, em 1554.
As gravações de Hans Staden começam em agosto, numa área de 300 mil m², onde foi construída uma aldeia cenográfica, na cidade de Ubatuba. O filme será falado em tupi e terá a participação de índios curumins guaranis da aldeia Boa Vista, de Ubatuba, que se juntarão a outros 90 figurantes. Alguns dos principais atores brasileiros estão no elenco de Hans Staden, entre eles Stênio Garcia, Jackson Antunes, Paulo Autran e Beto Simas. Já foi cogitada também a contratação de um ator norte-americano para participar do filme. A obra está orçada em R$ 1,5 milhão e a construção da aldeia cenográfica teria custado R$ 250 mil.
Enredo - Em recente entrevista à imprensa, o diretor Luiz Alberto Pereira afirmou que o filme reúne, ao mesmo tempo, uma visão de suspense e humor em torno dos antropófagos. Segundo Pereira, a frase que dá nome ao filme "foi justamente o que o chefe dos tupinambás pensou ao se deparar com o viajante alemão".
O filme baseia-se no livro de memórias Duas viagens ao Brasil, escrito por Hans Staden, na Europa, depois que ele se livrou do cativeiro dos tupinambás. Hans Staden instalou-se no forte São João em 1552, onde permaneceu até 1554. Ele veio parar em Bertioga depois de naufragar no litoral de Santa Catarina, em 1550.
Pouco tempo antes de voltar à Europa, o alemão caiu numa emboscada e foi aprisionado pelos índios tupinambás. Durante o cativeiro, Hans Staden usou de artimanhas para não virar banquete. Disse que era francês (povo aliado dos índios), mas foi desmascarado. Depois, se fez passar por curandeiro na tribo.
Segundo conta Hans Staden em seu livro, um morro existente no local, na época de sua captura, era chamado pelos índios de "Brikioka", palavra que mais tarde daria origem ao nome da cidade, Bertioga. Após nove meses de cativeiro, ele foi trocado por uma carga de mercadorias e resgatado por um navio francês, retornando em seguida à sua terra natal.