O artilheiro alemão relatou os primeiros contatos entre brancos e índios na região
Da Redação
Publicado em 08/10/2019, às 07h38 - Atualizado em 26/08/2020, às 22h13
Os trechos da publicação Bertioga, Berço da História do Brasil, relacionados às aventuras do artilheiro alemão Hans Staden, de quem partiram os primeiros relatos dos contatos entre brancos e índios, prometem atrair a atenção do leitor. Afinal, sua história, que já virou tema de produção nacional lançada em 2000, durante as comemorações dos 500 anos de Descobrimento do Brasil, é repleta de ação, coragem e inteligência.
Ela começa quando Staden resolve viajar para a Índia e embarca, em 29 de abril de 1547, em um navio que levaria carga de sal para Portugal. Em Lisboa, conhece um alemão que o apresenta como artilheiro ao capitão Penteado, que tinha o Brasil como destino, para onde transportaria criminosos, sujeitos a degredo, para morar nas novas terras.
Staden segue primeiro para Santa Catarina, onde chega em 1549, mas depois sofre um naufrágio durante a viagem à Capitania de São Vicente.
Seus conhecimentos atraíram a atenção dos portugueses, que o contrataram para trabalhar nas fortalezas de São Felipe e São Tiago, que, desde 1765, é conhecido como Forte São João. Na época, os tupinambás eram influenciados pelos franceses, e os tupiniquins apoiados pelos portugueses. Mas a grande aventura de Staden foi ser capturado e aprisionado pelos tupinambás com quem conviveu por cerca de nove meses. Nesse período, ele assistiu à morte de várias pessoas pelos índios, que eram canibais, inclusive de Jorge Ferreira, um dos heróis bertioguenses.
Por ser diferente dos portugueses, ter a pele branca, olhos azuis e muitos conhecimentos, ele passou a ser respeitado pelos índios durante o tempo em que esteve preso em Iperoig (Ubatuba). Os tupinambás ficavam impressionados com as noções que Staden tinha sobre meteorologia, medicina e até psicologia, que ajudaram a salvar sua vida.
Ele foi liberado após um navio francês atracar em Iperoig com mercadorias para os índios. No entanto, para poder voltar à Europa, teve de prometer aos tupinambás que retornaria com muitos presentes.
Assim termina sua aventura, que ficou conhecida em todo o mundo a partir de 1555, quando seus livros foram editados em Frankfurt, na Alemanha. Em 1557, foram traduzidos para o latim, inglês, francês e holandês. No Brasil, a primeira tradução foi de Alencar Araripe, em 1892, e depois, em 1900, por Alberto Logfren, sendo reeditada em 1930 pela Academia Brasileira de Letras. O escritor Monteiro Lobato também chegou a editar uma série sobre as histórias do artilheiro alemão entre os índios.