Ação capacita cerca de 360 gestores da rede de ensino, para identificar e responder a atos de discriminação; treinamentos começam neste ano
Redação
Publicado em 31/07/2026, às 14h16
A rede de ensino de Guarujá, litoral paulista, avança na pauta da igualdade com um novo plano de combate ao racismo nas escolas. Para colocar a teoria em prática nas salas de aula, o município reuniu cerca de 360 gestores e profissionais de saúde na manhã de quarta-feira (29).
O encontro marcou o lançamento local da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).
A gerente de políticas públicas da Secretaria de Educação (Seduc), Heloisa Alves Lopes, explica as diretrizes da norma na cidade. "É uma política federal que prevê justamente o combate ao racismo nas escolas, a identificação e resposta ao racismo nas escolas, além da construção de práticas antirracistas", detalha.
Com 56% da população brasileira autodeclarada negra, a iniciativa busca combater violações de direitos. O secretário municipal de Educação, Mohamad Ali Abdul Rahim, destaca a necessidade de romper barreiras de invisibilidade.
Nós temos um compromisso ético de tratar com respeito, de combater a discriminação e o preconceito, de trabalhar pela humanidade nas relações", pontua o chefe da pasta.
O plano municipal engloba ações formativas de curto, médio e longo prazos, com monitoramento anual. A estratégia inclui a adoção de protocolos de resposta a casos de discriminação e a criação de um núcleo de equidade racial. Os treinamentos para professores e demais funcionários das unidades escolares começam ainda neste semestre.
O projeto também reflete fora das salas de aula. O vereador de Guarujá, Anderson Bernardes, avalia o impacto familiar da iniciativa.
A criança ou o adolescente pode ser também um agente transformador da autoestima, da consciência dos pais, dos avós, dos familiares no seu lar", ressalta o parlamentar.
Para os profissionais que vivem a rotina escolar, a medida representa um marco. A diretora escolar Carla Andrea celebra o avanço contra o preconceito. "Nós temos o maior racismo que é o estrutural, que está em todo lugar. E eu sou grata por esse momento de aprendizado e com certeza vou levar para minha prática pedagógica", comemora a educadora.
A também diretora escolar Maria Andrea Santos concorda com a evolução do tema. Ela acrescenta que a parceria institucional facilita o trabalho dos professores no desenvolvimento diário e no comportamento dos alunos.
*Com informações do jornalista Matheus Alves, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.