Sérgio Zagarino
Publicado em 31/10/2025, às 17h17 - Atualizado às 17h18
A megaoperação no Rio de Janeiro marcou um divisor de águas. Depois de anos de hesitação, o Estado brasileiro enfim demonstrou coragem e autoridade ao enfrentar organizações criminosas que, há décadas, controlam territórios, impõem leis próprias e aterrorizam comunidades. Foi um ato de soberania, e um lembrete de que o poder público ainda existe.
O aumento das facções e milícias, entretanto, não ocorreu por acaso. Ele foi alimentado por decisões equivocadas e interpretações ideológicas que fragilizaram a atuação das forças de segurança.
A ADPF 635, do Supremo Tribunal Federal, que restringiu as operações policiais em comunidades durante a pandemia, é um exemplo claro: embora inspirada por preocupações legítimas com excessos, acabou criando um vácuo de autoridade.
Nesse período, o crime se expandiu, armou-se, estruturou redes de comunicação, dominou rotas e ampliou seu poder sobre populações inteiras. Quando o Estado se retira, o crime ocupa o espaço. E quando o Estado é impedido de agir, a violência se institucionaliza.
O governador do Rio de Janeiro tomou a decisão correta: restaurar a presença do Estado pela força da lei. Mas é preciso que essa ação não seja isolada nem episódica, e, sim, o início de uma estratégia nacional articulada, que envolva:
O Brasil precisa compreender que o tráfico e as milícias não são meros problemas de segurança: são estruturas de poder paralelo, com características de terrorismo interno.
E como qualquer forma de terrorismo, devem ser enfrentados com firmeza, estratégia e unidade de comando.
A esquerda erra ao reduzir o debate a uma narrativa social, como se o crime fosse fruto apenas da exclusão. Essa leitura complacente deslegitima o policial que arrisca a vida, desmoraliza o Estado e fortalece quem lucra com a morte.
A compaixão deve estar com o cidadão que é refém do medo, não com o criminoso que o impõe.
O Brasil precisa retomar o controle dos territórios e a confiança do seu povo.
As operações no Rio não devem ser o fim, devem ser o começo de uma política nacional de combate ao narcoterrorismo, conduzida com técnica, legalidade e coragem.
Sem segurança, não há liberdade.
Sem autoridade, não há Estado.
E sem Estado, só resta o domínio do crime.