Cris Aragoni
Publicado em 24/05/2021, às 17h13
Boletim do Ministério da Saúde em 23/05/2021:
16.083.25 casos confirmados de COVID 19 no Brasil com 449.068 óbitos.
Infelizmente a contagem diária de mortos banalizou a Pandemia, tirando de nós a capacidade de entender o tamanho da tragédia.
Cada morte, é uma família destroçada, órfãos, viúvos, filhos, irmãos, sobrinhos, tios, sonhos desfeitos e a tristeza pairando no horizonte.
Enquanto isso, sociedade doente e incapaz de entender a complexidade da tragédia, sofre um verdadeiro paradoxo da verdade, quanto mais indicadores, mais informações, mais são as desconfianças, ninguém acredita em ninguém e as lendas urbanas dominam os debates nas redes sociais.
Entendo que isso se deva por estarmos vivendo na Era dos especialistas, hoje, todo mundo tem uma verdade absoluta para chamar de sua.
Aplicativos, novo normal, celebridades instantâneas, coaching para todo lado, a população anestesiada não consegue absorver tudo, e nem consegue também descobrir de fato, como chegamos neste ponto, ninguém liga para quem morre ou para quem vive, se a doença não chegar na sua porta, deixa para lá.
As consequências destes eventos históricos serão sentidos por décadas, o que mais choca, é o pacto civilizatório que não aconteceu no Brasil, todos contra todos.
Descalabros e descomposturas institucionais varrendo a Republica, desde Março de 2020 .
Chega ser uma repetição monótona, politicos fazendo o que sempre fizeram, cofres abertos, sociedade distraída e decreto de calamidade pública facilitando tudo .
Que beleza... com a porteira aberta, passa o boi e passa a boiada.
Hipócritas e corruptos não perdem tempo nem oportunidade, estes, se chafurdaram com toda sorte de maracutaias em um assalto tranquilo descarado e sem perturbação.
Vivemos a experiência de uma escravocracia, sim, pois na cleptocracia, regime anterior à Pandemia, a parte produtiva do país tinha liberdade de trabalho, hoje a parte produtiva vive se equilibrando em um fio de cabelo, obrigada a pagar os impostos, mantendo os empregos e o mínimo de fôlego para a economia não morrer, enquanto na contra mão destes, temos a turma de comentaristas da varanda gourmet, que vivem em uma bolha cega, incapazes de abrir mão, de um único privilegio sequer.
Tempos estranhos... a grande e outrora, boa mídia, hoje apenas preocupada com a própria pauta (dinheiro) apertou o botão do dane-se, e se aliou a turma do quanto pior melhor, se aliou ao que tem de pior na política dando voz a uma CPI indecente, comandada por ladrões estrelados.
Pobre Nação, não tivemos legado na copa, estádios bilionários nababescos não servem nem para hospital, não tivemos legado nas olimpíadas, a tal modernidade da cidade do Rio de Janeiro não subiu os morros, nem tão pouco, ajudou as comunidades, e assim, a população mais podre e desamparada dos grandes centros tem que contar com a ajuda divina para não verem a praga se proliferar e bater à sua porta, e para piorar, não teremos o legado da união nacional, pois temos uma desunião estrategicamente fabricada facilitando a roubalheira pornográfica generalizada.
Dividir para conquistar, eficiente tática, para continuarmos como escravos de um estado inchado, um legislativo corrupto e um judiciário covarde, uma elite incapaz, mesmo em tempos de guerra, de abrir mão de privilégios, para ajudar a nação e tirar um pouco do peso que toda sociedade carrega.
No meio de tudo isso, a contagem diária de mortos, nunca conseguirá traduzir o tamanho do sofrimento das famílias vitimadas por esse meteoro.
Somos uma não civilização. Fato!
Cris Aragoni