☰
✕

Último aviso | Poema

Lucas Felix
Publicado em 12/10/2020, às 11h07 - Atualizado às 12h16

Luar sombrio - Pintrest


 

 

 



 

 

-



Doce mãe, a ti escrevo. 

Seu filho amado e bem vivido. 

Há tempo não pronuncio palavras, 



Sobre os dias percorridos.

 

No primeiro dia de minha viagem, 



Sozinho andei até um matagal. 

Lá encontrei uma turma elegante e sem igual.

 



Andamos sem parar pelas vias expressas.

Pedimos alimentos e roupas mais. 

Quando no pôr-se do quinto dia, 



Nenhum dos meus convivas, viviam mais.

 

Não sei expressar o que houve. 



Talvez o luar os pegou? 

Mamãe, não me coube enterra-los,  

Pois, grande era meu terror.



 

Sai correndo de pressa. 

Sem roupas ao menos levar. 



Caminhei nu e às avessas, pelas paisagens em Minas Gerais.

 

No sétimo dia, fui socorrido. 



Abrigo tive na casa de lavradores. 

A filha mais moça daquela família, 

Desonrei em meus amores.



 

Seu pai quando soube, "Ingrato! Ingrato!" bradou. 

A espingarda em meu peito, engatilhada, 



Pensei, "meu triste fim chegou". 

Mas pelos prantos de sua filha, 

Logo livre me deixou.



 

Como cão vagabundo andei por dias. 

Vi a morte se aproximar. 



Com fome, sede e frio, 

Não pude mais enxergar.

 



Quando dei por mim estava em um hospital. 

Ali tido como indigente. 

Me registraram como mendigo, 



Pensaram que eu não fosse gente.

 

Ao me recuperar, no décimo sexto dia, 



Minha viagem continuei. 

Sai de perto da cidade, 

A um vilarejo eu cheguei.



 

Lá encontrei uma bruxa, 

Meu passado ela contou. 



Pensei que era louca, 

Mas logo profetizou:

 



"No próximo luar sua família verá a ruína. 

É bom que a quem ama você diga: 

Fujam todos para colinas, 



Pois a besta lupina virá ceifar suas vidas"

 

Tive medo das palavras da bruxa. 



Será que seria seu algoz? 

Amada mãe, estou em direção a cidade, 

Imploro que ouça minha voz.



 

A lua surgirá novamente 

A maldição de papai me devora. 



O luar se levanta em minha frente. 

Uma besta demente é o que sobra.

 



Esse será meu último aviso, 

Corra de medo de seu filho! 

O monstro maldito que criou seu marido, 



Não lhes deixará um único fio.