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A vacina, a diplomacia e a piscina de ratos

Ernesto Araújo disse na CPI da Covid que as provocações dele e de outros membros do governo não trouxeram nenhum prejuízo

Paulo Schiff
Publicado em 11/06/2021, às 16h08 - Atualizado às 16h15

Ernesto Araújo - Reprodução/Rede Brasil Atual


O ex-chanceler Ernesto Araújo disse na CPI da Covid que as provocações dele, de outros membros do governo, do presidente Bolsonaro e dos filhos dele aos chineses não trouxeram nenhum prejuízo para as relações entre os dois países. Nem o reconhecimento ultra-atrasado da eleição de Biden ou as suspeitas expressadas por Bolsonaro sobre a legitimidade dela.

Para Ernesto Araújo, está tudo perfeito: “É bom ser pária. E este pária aqui, este Brasil, esta política externa do povo brasileiro, esta política externa ‘severina’, digamos assim, tem conseguido resultados.”

“Tuas ideias não correspondem aos fatos”, diria a ele o compositor Cazuza.



No dia seguinte ao depoimento dele (19 de maio) o Itamaraty entregou aos membros da CPI um documento que mostra que o presidente da Sinovac disse aos diplomatas brasileiros na China que as relações do governo brasileiro com o chinês poderiam ser “mais fluidas”. A Sinovac é justamente a empresa – chinesa - que fornece o insumo – IFA – para o Instituto Butantan produzir a vacina Coronavac. Empresa que passou a retardar as entregas desse insumo depois daquelas picuinhas, daquelas provocações.

Terça-feira (8) o Estados Unidos formalizou a doação de 500 milhões de doses de outra vacina, a da Pfizer. O Brasil, epicentro da pandemia e precisando desesperadamente de vacinas, mas último país a reconhecer a eleição de Joe Biden, ficou fora da lista de contemplados.

Completando os versos do Cazuza, o ex-chanceler Ernesto Araújo deveria dar uma checada na piscina dele: é provável que ela esteja cheia de ratos.