Por que está chovendo tanto no litoral de SP? Veja quando o tempo melhora

Climatologista explica combinação de sistemas que mantém chuva persistente; previsão do tempo indica redução gradual a partir de terça-feira (15)

Lenildo Silva
Publicado em 14/09/2026, às 16h55

Chuva persistente marca setembro no litoral de São Paulo e mantém atenção para áreas de risco - Carlos Nogueira/Prefeitura de Santos


Quem mora no litoral de São Paulo já percebeu que setembro de 2026 começou diferente. A sequência de dias nublados e chuvosos atinge a Baixada Santista, litoral norte e litoral sul e já provoca reflexos em rodovias, abastecimento de água, mobilidade e áreas de encosta. Segundo o climatologista Rodolfo Bonafim, a explicação passa por uma combinação de fatores atmosféricos que mantém muita umidade e instabilidade sobre a região.

O litoral paulista naturalmente começa a sentir a transição para o período mais chuvoso antes de boa parte do interior do estado. De acordo com Bonafim, setembro já costuma apresentar mais nebulosidade e precipitação na faixa costeira, enquanto em outras regiões paulistas o aumento mais frequente das chuvas costuma aparecer perto do começo da primavera ou no fim do mês. O que chama a atenção em 2026 é a intensidade desse começo de setembro.

 O litoral paulista já tem um começo de setembro que já é meio aguado mesmo, mais chuvoso, nebuloso, mas só que este ano mais ainda”, explica o climatologista.

Por que a chuva não para?

Bonafim explica que não existe apenas uma causa. Para entender o cenário atual, é necessário observar desde as condições próximas à superfície até o comportamento da atmosfera a cerca de 10km de altitude.



Entre os fatores apontados pelo climatologista está um cavado em altos níveis da atmosfera, associado a uma extensa área de baixa pressão. Esse sistema ajuda a conduzir frentes frias e outras áreas de instabilidade próximas à superfície.

Também há uma área de baixa pressão entre o litoral de São Paulo e o Rio de Janeiro e a atuação do chamado jato de baixos níveis, uma corrente de ar quente e úmido que transporta umidade da região amazônica para outras áreas do país.

Segundo Bonafim, esse fluxo estava intenso desde a metade da semana passada. A combinação do ar quente e úmido com a elevada umidade presente na costa paulista e fluminense favorece a manutenção das instabilidades.



O climatologista também aponta influência de fenômenos de maior escala, entre eles as chamadas teleconexões atmosféricas do Pacífico, associadas neste período também ao El Niño, além do contraste de temperaturas no Oceano Atlântico. Esses fatores podem influenciar a circulação atmosférica mesmo a grandes distâncias.

Chuva persistente é diferente de tempestade

Bonafim chama a atenção para uma característica importante dos últimos dias. Apesar dos grandes acumulados, boa parte da precipitação no litoral não ocorre necessariamente na forma de tempestades intensas.

É uma chuva persistente. Uma chuva fraca, persistente, que devido à persistência, ela também pode acumular grandes volumes. Não porque ela é uma tempestade”, explica.

Segundo ele, uma chuva menos intensa pode provocar transtornos semelhantes aos de precipitações fortes quando permanece por muitas horas ou dias. O acúmulo deixa o solo saturado, aumenta o risco em encostas e contribui para alagamentos e problemas de mobilidade.



O cenário encontra respaldo no balanço da Defesa Civil estadual. Nesta segunda-feira (14), o Governo de São Paulo informou que os acumulados poderiam chegar a 150 mm no litoral e 100 mm no Vale do Paraíba, ambas as regiões enfrentavam alagamentos, quedas de árvores e deslizamentos.

Por que o tempo parece tão frio?

Além da chuva, a grande quantidade de nuvens ajuda a explicar a sensação de frio no litoral. Bonafim afirma que diferentes camadas de nebulosidade impedem a entrada de radiação solar suficiente para elevar as temperaturas durante o dia.

Segundo o climatologista, enquanto essa condição persistir, as máximas podem ficar na faixa dos 19°C a 20°C no litoral paulista. A tendência é de recuperação das temperaturas conforme a nebulosidade diminuir.



A sequência de chuva exige atenção mesmo quando a precipitação parece fraca. Com o solo já encharcado, a Defesa Civil recomenda cuidado especial em áreas de encosta. No boletim desta segunda-feira, o Governo de São Paulo manteve o estado sob monitoramento diante do risco de novas ocorrências relacionadas às chuvas.

Quando a chuva deve diminuir?

A perspectiva é de melhora gradual a partir desta terça-feira (15). Segundo Bonafim, o dia ainda deve apresentar muita nebulosidade, mas a chuva fraca começa a perder persistência. O climatologista prevê uma mudança mais perceptível a partir de quinta-feira (17), quando o sol pode voltar a aparecer entre muitas nuvens e a chuva tende a perder ainda mais espaço. “Quinta-feira começa a aparecer um pouquinho de sol, mas ainda entre muitas nuvens”, afirma.

Para o fim de semana, a tendência apontada pelo climatologista é de elevação das temperaturas. Ele alerta, porém, que outro sistema de instabilidade já aparece no horizonte para a semana seguinte. Por se tratar de uma previsão de prazo maior, a evolução desse sistema ainda precisa ser acompanhada nos próximos dias.



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