Modelos climáticos apontam até 60% de chance de ocorrência da La Niña, entre setembro e dezembro deste ano; climatologista explica efeitos
Esther Zancan
Publicado em 04/09/2025, às 14h32
A temperatura das águas do oceano Pacífico equatorial está normal desde março deste ano, mas parece que vem mudança por aí. Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e modelos climáticos indicam que há tendência para o surgimento do fenômeno La Niña nos próximos meses.
O La Niña consiste no resfriamento das águas o Pacífico equatorial. Segundo a OMM, de setembro a novembro de 2025, a chance de formação do La Niña é de 55%. Já entre outubro e dezembro, as chances aumentam para 60%. É zero a chance de ocorrência de El Niño no período, que corresponde ao aquecimento do Pacífico equatorial.
Mas, como será que o fenômeno afetará a primavera e o verão no litoral de São Paulo? O Costa Norte conversou com o climatologista Rodolfo Bonafim, da ONG Amigos da Água, de Santos, e do canal no YouTube Geoastrodicas. Para Bonafim, o La Niña será de fraca intensidade, mas, mesmo assim, devemos sentir alguns efeitos, pois o inverno já apresentou um padrão de temperaturas abaixo da média esperada.
No litoral de São Paulo, espera-se uma primavera mais chuvosa do que a média e também mais fria do que a média, mas nada muito acentuado”, explicou o climatologista
Para quem ainda está traumatizado com o calorão do verão passado, uma boa notícia. Bonafim disse que o La Niña também deve influenciar no verão do litoral paulista e a estação deve ser menos intensa. O ponto negativo é que haverá a probabilidade de incursões de ciclones extratropicais.
O Instituto Climatempo lembra que, durante episódios de La Niña, podem ser esperadas chuvas acima da média no Norte e Nordeste do Brasil, especialmente durante o verão; tempo mais seco no Sul do Brasil, o que pode agravar ou antecipar estiagens em áreas agrícolas; e risco maior de incêndios no Pantanal e na Amazônia, caso haja redução das chuvas.
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