Boletim do Inmet prevê temperaturas acima da média em quase todo o país e chuvas irregulares entre novembro de 2026 e janeiro de 2027
Rhauanny Queiroz
Publicado em 31/10/2026, às 12h44
O El Niño deve ganhar intensidade nos próximos meses e pode atingir a categoria de muito forte, a partir de novembro de 2026, segundo o quinto boletim do Painel El Niño, divulgado em outubro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
As projeções indicam mudanças nos padrões de chuva e temperatura no Brasil, com possibilidade de estiagem, queimadas e elevação dos níveis dos rios em diferentes regiões.
O documento foi divulgado na quinta-feira (29) e elaborado em conjunto pelo Inmet, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
De acordo com o boletim, as projeções apontam a manutenção e a intensificação do fenômeno ao longo de 2026, com possibilidade de que o aquecimento das águas do oceano Pacífico Equatorial persista pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
Dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgados em 26 de outubro, indicaram anomalias de temperatura da superfície do mar superiores a 3 °C nas áreas centrais e orientais do Pacífico.
A previsão climática para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica maior probabilidade de chuvas acima da faixa normal na Região Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste.
Em contrapartida, a tendência é de precipitações abaixo da média em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste. As temperaturas também devem ficar acima da faixa normal em quase todo o país, principalmente na Região Norte. A exceção é o Rio Grande do Sul, onde há tendência de temperaturas abaixo da média no período.
O boletim ressalta que as projeções não significam que todas as localidades de uma mesma região terão o mesmo comportamento. Mesmo em áreas com previsão de menos chuva, podem ocorrer episódios de precipitação intensa. A combinação de calor e umidade disponível na atmosfera também pode favorecer tempestades isoladas.
O documento apresenta um diagnóstico das condições de seca observadas no país entre agosto e setembro. No Nordeste, a área classificada com seca grave passou de 16% para 28% da região. No Norte, a proporção dobrou, de 4% para 8%.
Segundo o painel, a previsão de chuvas abaixo da média, combinada às temperaturas elevadas, pode intensificar a perda de umidade do solo e agravar a escassez hídrica nos próximos meses.
No Nordeste, a preocupação envolve a falta de água e os possíveis prejuízos para comunidades rurais. No Norte, a atenção se concentra em áreas como Roraima e nas bacias dos rios Negro e Branco, que apresentam níveis baixos e déficits de precipitação.
O boletim destaca, porém, que a situação hidrológica da Amazônia não é tão generalizadamente crítica quanto a registrada em 2023 e 2024. Mesmo assim, as condições atuais e a perspectiva de menos chuva exigem atenção em áreas específicas.
A previsão de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas na Região Norte também pode favorecer a propagação de queimadas.
Na Amazônia Legal, foram registrados 6.542 eventos de fogo em agosto e 12.659 em setembro. Em outubro, até o dia 23, foram contabilizados outros 11.662 eventos, conforme os dados apresentados no boletim.
Para novembro, a expectativa é de redução das ocorrências com o avanço gradual da estação chuvosa. No entanto, a influência do El Niño pode tornar essa diminuição mais lenta do que o habitual.
A previsão do Cemaden para o trimestre de novembro a janeiro classifica 307 municípios em nível de alerta alto e outros 464 em alerta para o risco de fogo. Apesar da tendência de redução da área sob condições mais críticas em comparação com o trimestre anterior, o documento ressalta que a chegada das chuvas não elimina imediatamente o risco de incêndios.
Enquanto áreas do Norte e do Nordeste enfrentam maior preocupação com a escassez hídrica, a Região Sul apresenta um cenário de atenção para cheias. Segundo o boletim, os três estados da região estavam livres de seca pelo segundo mês consecutivo, mas os acumulados de chuva provocaram elevações recorrentes nos níveis dos rios e inundações em diferentes localidades.
Na bacia do rio Uruguai, foram ultrapassadas cotas de alerta em estações do Médio Uruguai. Áreas do Alto Uruguai, em Santa Catarina, também registraram elevações. Já as bacias dos rios Caí e Taquari, no Rio Grande do Sul, tiveram episódios de inundação em diversos municípios.
A previsão sazonal indica vazões acima da média e maior risco de cheias em toda a Região Sul, em parte do Sudeste e no alto rio Paraguai. No Sudeste, esse risco pode aumentar em janeiro, especialmente nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul.
Em contrapartida, as vazões devem permanecer abaixo da média em grande parte do país, sobretudo em bacias do Nordeste, no norte da bacia do Paraná e em áreas da Amazônia.
Diante das projeções, as instituições responsáveis pelo boletim recomendam o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas, dos avisos oficiais e das condições hidrológicas e geológicas.
A Defesa Civil orienta a população a manter atualizado o cadastro para recebimento de alertas, conhecer as áreas de risco da cidade e do bairro onde mora e identificar locais seguros e rotas de fuga para situações de emergência.