Poluição marinha é um dos males a afetar espécie de golfinho ameaçada de extinção. Populares tentaram devolver animal ao mar, mas sem sucesso.
da Redação
Publicado em 17/03/2021, às 11h01 - Atualizado às 12h06
Um golfinho fêmea da espécie toninhas morreu com evidencias de inanição após enrosque em rede de pesca na Praia da Enseada, em Ubatuba, litoral de São Paulo. O material chegou a ser retirado por banhistas, que tentaram sem sucesso devolver o animal ao mar no sábado, 14. Técnicos do Instituto Argonauta foram acionados na sequência para um socorro mais apurado levando o mamífero à base, mas ele não resistiu e morreu no caminho.
Após exames preliminares equipe de veterinários e biólogos constatou que o animal estava desnutrido e desidratado, e por essa razão não comia há vários dias. Segundo os técnicos a camada de gordura estava extremamente fina e a musculatura atrofiada, com indícios de inanição, o que pode ter levado à parada cardiorrespiratória.
Amostras de tecidos foram coletadas para análises complementares, e o esqueleto foi conservado para coleção científica.
Entre 2015 e 2020, o Instituto Argonauta, registrou 152 avistagens e o encalhe de 297 toninhas. O Instituto é um dos executores do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos – PMP-BS e se coloca à disposição para resgate de animais marinhos pelo telefone (12) 3833-4863. Os dados são utilizados para subsidiar propostas de ações de conservação das espécies.
O projeto é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. O Instituto Argonauta monitora o Trecho 10, entre São Sebastião e Ubatuba.
Poluição marinha e risco de extinção
No Brasil, as toninhas são consideradas criticamente ameaçadas de extinção. Por viverem perto da costa, elas acabam tendo forte interação com a pesca e petrechos abandonados. A poluição marinha também é uma forte ameaça que afeta as toninhas pela presença de diversos lixos domésticos no seu habitat.
Resgate cuidadoso
O transporte de golfinhos não pode ser feito na água pelo risco de afogamento. O socorrista deve assegurar que o animal esteja em uma superfície macia e que não se choque com materiais rígidos o que pode causar ferimentos. Golfinho não é peixe, eles têm pulmão e respiram na superfície.
Dependendo do tamanho do animal é utilizada uma maca adaptada com aberturas nas regiões das nadadeiras, ou quando possível, o animal é transportado no colo para conseguir imobilizar e monitorar com maior precisão a frequência respiratória, cardíaca e sinais de dor.