Animais foram resgatados debilitados no litoral e passaram por acompanhamento veterinário e reabilitação antes de retornarem ao ambiente natural
Redação
Publicado em 10/10/2026, às 09h38
O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha realizou, na sexta-feira (9), a soltura de nove pinguins-de-Magalhães e um lobo-marinho-sul-americano a aproximadamente 50 milhas náuticas (93 quilômetros) da costa de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo.
A ação foi realizada no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Os dez animais foram resgatados ao longo da temporada de 2026, após serem encontrados debilitados em diferentes pontos do litoral.
Durante o período de reabilitação, receberam acompanhamento veterinário, alimentação adequada e cuidados específicos para a recuperação.
O retorno ao ambiente natural ocorreu após avaliações clínicas e comportamentais indicarem que os animais apresentavam condições satisfatórias para sobreviver novamente em liberdade.
Os pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) são aves marinhas que se reproduzem principalmente nas costas da Argentina, do Chile e das Ilhas Malvinas.
Após o período reprodutivo, parte da população realiza deslocamentos migratórios em direção ao norte, acompanhando a disponibilidade de alimento no Oceano Atlântico.
Durante o outono e o inverno, esses animais podem ser encontrados ao longo da costa brasileira, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. A alimentação é composta principalmente por peixes, além de lulas e pequenos crustáceos.
Muitos dos pinguins que chegam ao litoral do Brasil são jovens que realizam suas primeiras migrações. Durante o percurso, alguns acabam apresentando desnutrição, desidratação e outras condições de debilidade.
Além das dificuldades enfrentadas durante os deslocamentos, a espécie também está sujeita a ameaças relacionadas às atividades humanas, como a interação com equipamentos de pesca, a ingestão de resíduos e a poluição marinha.
O lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) é um mamífero marinho da família Otariidae, a mesma dos leões-marinhos.
A espécie ocorre nas costas atlântica e pacífica da América do Sul, com importantes áreas de reprodução no Uruguai, na Argentina e em outras regiões do extremo sul do continente.
No Brasil, a presença desses animais é mais frequente nos meses frios, principalmente na Região Sul, embora também sejam registrados no litoral paulista. Em geral, os indivíduos encontrados fora de suas áreas habituais são jovens que se deslocam para outras regiões.
Os lobos-marinhos possuem uma espessa pelagem que auxilia na manutenção da temperatura corporal.
Sua alimentação inclui peixes, lulas e outros organismos marinhos. Embora passem boa parte do tempo na água, também utilizam praias e costões rochosos para descansar.
A presença de um lobo-marinho na praia, por si só, não significa que o animal esteja debilitado. No entanto, indivíduos feridos, desnutridos ou com alterações de comportamento podem precisar de avaliação e atendimento especializado.
A devolução dos nove pinguins e do lobo-marinho ao oceano representa mais uma etapa do trabalho desenvolvido pelo Instituto Argonauta no âmbito do PMP-BS. As atividades incluem o monitoramento das praias, o resgate de animais, a reabilitação e o retorno à natureza sempre que as condições de saúde permitem.
A população que encontrar animais marinhos debilitados, feridos ou mortos no litoral pode entrar em contato com as equipes responsáveis pelo atendimento por meio do telefone 0800 642 3341.