Fenômeno climático monitorado por organismos internacionais preocupa região devido ao risco de temporais, deslizamentos e impactos sobre o turismo
Reginaldo Pupo
Publicado em 24/06/2026, às 16h19
O alerta emitido nos últimos dias por organismos internacionais sobre a possibilidade de um Super El Niño atingir a região do litoral paulista tem chamado a atenção de autoridades, pesquisadores e moradores da região.
Embora os efeitos exatos ainda dependam da intensidade do fenômeno e das condições atmosféricas ao longo dos próximos meses, o alerta aponta que a região pode enfrentar um período marcado por chuvas mais frequentes e intensas, além de reflexos em diferentes atividades econômicas.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Em sua versão mais intensa, conhecida como Super El Niño, o fenômeno é capaz de alterar padrões climáticos em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil.
Com base nas análises do Cemaden (Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais) divulgadas em 19 de maio, os padrões esperados para o próximo ciclo seguem o comportamento histórico dos Super El Niños anteriores.
Segundo o Greenpeace, um “Super El Niño” ocorre quando a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassa +2°C em relação à média histórica. Nos últimos 150 anos, isso aconteceu apenas quatro vezes, em 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Os modelos climáticos atuais indicam que 2026 pode ser o quinto.
Caso se confirme, significará um intervalo de pelo menos cinco anos mais curto entre um “Super El Niño” e outro, o que pode estar associado ao aquecimento global e intensificação das mudanças climáticas.
No litoral paulista, onde a combinação entre o mar e a Serra do Mar já favorece elevados índices de precipitação, o principal temor está relacionado ao aumento do volume de chuvas. A preocupação não é por acaso. A região possui áreas urbanas próximas a encostas e locais historicamente vulneráveis a deslizamentos de terra e enchentes.
As projeções divulgadas pela NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos) alertam que eventos de chuva extrema podem ocorrer com maior frequência, elevando os riscos para moradores de áreas suscetíveis.
Segundo a entidade, as projeções feitas em maio apontam 82% de probabilidade de formação do El Niño até julho e 96% de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que significa impactos que podem se estender até pelo menos o segundo semestre de 2027.
Além dos impactos diretos sobre residências e infraestrutura urbana, estradas que ligam o litoral ao Vale do Paraíba, Mogi das Cruzes e à Região Metropolitana de São Paulo também podem sofrer interdições devido a quedas de barreiras e alagamentos.
Outro setor que pode sentir os efeitos do fenômeno é a pesca artesanal. Alterações na temperatura da água do mar influenciam o comportamento de diversas espécies, podendo afetar a disponibilidade de peixes em determinadas épocas do ano e, consequentemente, a renda de pescadores que dependem da atividade.
Segundo a Defesa Civil do estado de São Paulo, o El Niño é um fenômeno que exige monitoramento constante porque pode potencializar eventos climáticos extremos no litoral paulista e no restante do estado. Em comunicados divulgados em 2026, o órgão informou que acompanha a possibilidade do El Niño chegar mais intenso e seus reflexos sobre o território paulista.
O turismo, principal motor da economia regional, também entra no radar. Apesar de períodos de calor intenso continuarem atraindo visitantes, a ocorrência de temporais mais frequentes pode impactar passeios náuticos, atividades ao ar livre e até mesmo a ocupação hoteleira em alguns períodos.
A agricultura de pequena escala, presente em áreas rurais dos municípios da região, pode enfrentar desafios semelhantes. O excesso de chuva favorece doenças em plantações, dificulta a colheita e pode comprometer a produtividade de determinados cultivos.