Projeto CoopClima, em parceria com a Fapesp, escuta os moradores em seis regiões até outubro; primeira atividade reuniu idosos e lideranças comunitárias
Redação
Publicado em 26/09/2026, às 16h32
Quando as tempestades atingem a Baixada Santista, o alagamento das ruas vai muito além de um transtorno temporário no trânsito: ele impede crianças de irem à escola, cancela consultas médicas e trava o deslocamento de trabalhadores.
Para ouvir a população que vive diretamente essas vulnerabilidades, São Vicente retomou, nesta sexta-feira (25), a série de Oficinas Participativas de Avaliação das Ameaças Socioclimáticas (Oficinas OPA!).
A primeira atividade ocorreu no Parque das Bandeiras e marca uma nova fase do projeto de pesquisa CoopClima. A iniciativa é fruto de uma cooperação científica e institucional entre o poder público municipal e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Aprovado no final de 2023 e em execução desde janeiro de 2024, o projeto se estenderá até janeiro de 2028. A meta final é transformar os relatos e diagnósticos coletados nos bairros na base da futura Política Municipal de Justiça Climática de São Vicente.
As oficinas são consideradas o núcleo central da pesquisa por conectar os dados científicos com a vivência real dos moradores. A proposta parte da premissa de que os eventos extremos atrelados às mudanças do clima atingem toda a sociedade, mas penalizam com maior severidade a população de baixa renda.
A coordenadora geral do CoopClima, professora Sylmara Dias, explica a necessidade de dar protagonismo às comunidades periféricas durante a elaboração das ações de prevenção:
Os idosos e as crianças são públicos mais vulneráveis. Se as escolas não funcionam por causa de uma chuva, isso prejudica os dias de aula. A oficina é o coração do projeto porque temos a intenção de fazer uma coconstrução de uma política municipal para a justiça climática junto à população mais afetada”.
Para cobrir a diversidade geográfica e social de São Vicente, o município foi mapeado em seis áreas descentralizadas. A mobilização nos territórios é realizada em conjunto com os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e escolas da rede pública.
No encontro de abertura no Parque das Bandeiras, o CRAS local reuniu moradores de comunidades vulneráveis como Quarentenário, Rio Negro, Vila Ema e Samaritá. O engajamento ficou evidente no relato de uma das participantes que optou por remarcar uma consulta de saúde para garantir sua presença na roda de conversa.
O fortalecimento da escuta com os idosos também recebeu destaque durante a atividade inicial. Para Angélica Rodrigues, coordenadora do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) Vem Viver - Parque das Bandeiras, o encontro gerou reflexão e autonomia entre as moradoras mais antigas do bairro:
É importante para que elas conheçam o próprio território, os riscos relacionados às mudanças climáticas e compreendam por que essas transformações estão acontecendo. A sensação ao ver o engajamento de todas foi de vitória”, relatou.
A programação das Oficinas OPA! segue até o dia 22 de outubro, percorrendo diferentes bairros das zonas insular e continental. Para participar, basta comparecer aos locais nos horários indicados ou procurar o CRAS de referência do seu bairro:
Horário: 9h às 11h
Local: U.E. Lúcio Martins dos Rodrigues (Rua Odair Muler de Azevedo Marques, 434 – Vila Margarida)
Horário: 13h15 às 15h45
Local: U.E. Sebastião Ribeiro (Rua Quirino Mário Biasoli, 90 – Conjunto Tancredo Neves)
Horário: 14h às 16h
Local: ONG Alter do Rê (Rua José Viegas Juca, 147 – Parque Continental)
Horário: 10h às 12h30
Local: CRAS São Vicente (Avenida Marechal Deodoro, 169 – Vila Valença)
Horário: 10h às 12h
Local: U.E. Armando Victório Bei (Rua Carijós, 1020 – Jockey Clube).