Cozinheira afirma que foi passar dia de folga com familiares em prestigiado quiosque no litoral de SP e foi alvo de discriminação por parte de funcionária; mãe da mulher, que carregava latas recicláveis, teria sido expulsa por atendente; ao reagir, cliente diz que foi insultada, humilhada e agredida; outro morador, porém, afirma que mulher agrediu funcionária primeiro e disse ter
Da redação
Publicado em 04/08/2021, às 12h19 - Atualizado às 17h56
Um renomado quiosque no litoral de São Paulo, foi acusado, nesta terça-feira (3) por uma cliente de humilhá-la e agredi-la na frente da mãe e do filho. “Faço faxina pra caramba. Fui na folga levar meu filho para jogar bola. Até de vagabunda fui chamada”, denunciou a cozinheira e faxineira Aleh Vieira, em uma publicação que provocou indignação nas redes sociais.
Outros clientes endossaram a acusação da mulher, afirmando que já foram tratados com hostilidade no estabelecimento. Há, contudo, uma versão que contradiz a versão dela, ao afirmar que ela iniciou as agressões.
Aleh afirma que, na semana passada, foi com sua mãe e o filho em seu dia de folga ao quiosque Lucia Lanches, no Gonzaguinha, região central de São Vicente, onde sofreu uma série de humilhações que ela atribui a uma postura discriminatória do staff do lugar.
“Saí de lá indignada. Não posso deixar passar despercebido um absurdo desse [estabelecimento] julgar as pessoas pela aparência”, lamentou-se a faxineira, prometendo lavrar um boletim de ocorrência contra o prestigiado quiosque.
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O quiosque Lucia Lanches é conhecido em âmbito estadual. O estabelecimento está entre o seleto grupo de participantes do Festival Gastronômico de São Vicente. Em 2018, foi um dos únicos da categoria lanches entre os 37 participantes do festival. Na capa do seu cardápio oferecido aos clientes, o quiosque orgulhosamente ostenta o título de “indicado pela Revista Veja” como um dos melhores da Baixada Santista.
Não é, todavia, o que afirma a cozinheira Aleh. Ela relata que ela e a mãe foram humilhadas por uma funcionária do estabelecimento assim que chegaram. Entre outros insultos, a funcionária teria sugerido que elas não tinham dinheiro para pagar e as convidou a se retirarem do local.
“Pedi uma bebida. A moça que trabalha lá me abordou falando que se eu não fosse consumir mais nada para me retirar. Eu disse que iria consumir, quando já ali notei um tom de arrogância”, relembra-se a mulher. A situação, contudo, ficaria ainda pior, segundo relato da cozinheira.
A mulher afirma que pediu uma refeição que levou mais de meia hora para ser entregue. Nesse ínterim, ela foi com o filho ao mar e deixou sua mãe na mesa. Ao retornar, diz ela, sua mãe havia sido expulsa do estabelecimento. “Quando voltei da água, minha mãe estava fora da cadeira, na areia no sol”, acusa Aleh.
A mulher afirma que questionou a funcionária e foi novamente humilhada. “Perguntei por que ela fez aquilo. [Eu] disse que tinha dinheiro para pagar. Quando ela [funcionária] começou a debochar. Olhou minha mãe que estava com sacola com latinhas, pois ela recicla, e falou: ‘Onde vocês têm dinheiro para pagar?”
Depois disso, diz a faxineira, ambas entraram em uma discussão e a funcionária a ameaçou e a agrediu, afirmando que ela havia se recusado a pagar, o que ela, Aleh, nega. “Começou com ofensas como se eu tivesse me negando a pagar. Discutimos e ela logo partiu para agressão para cima de mim”, lamentou-se a cozinheira.
A mulher lamentou o tratamento recebido. “Meu dia de folga, fiz faxina pra caramba para levar meu filho, minha mãe, para passear. Fui pra lá espairecer”. Acreditando ter sido alvo de discriminação, na denúncia, a cozinheira afirma que pretende registrar queixa contra o estabelecimento. “Vou registrar queixa para que não fique assim. Racistas. Até de vagabunda fui chamada. Saí de lá indignada”, desabafou.
A denúncia da mulher repercutiu regionalmente. Nas redes sociais, outros moradores afirmaram também terem sido destratados no mesmo estabelecimento. O morador Felipe Santos, no entanto, se manifestou em defesa do estabelecimento, afirmando que há um vídeo das câmeras de monitoramento do quiosque que contraria a versão da cliente. Segundo ele, foi Aleh quem partiu para a agressão. Ele, contudo, não divulgou as imagens.
Na manhã desta quarta-feira (4), o Portal Costa Norte tentou contato com a cliente Aleh Vieira, com o estabelecimento Lucia Lanches e com o morador Felipe Santos, mas não foi atendido por nenhum deles. Caso qualquer um dos citados se manifeste, esta matéria será atualizada.