Sítio Arqueológico São Francisco exige agendamento com guia credenciado, para uma caminhada de quatro horas até os alicerces da capela e das senzalas
Redação
Publicado em 09/04/2026, às 15h36 - Atualizado em 18/06/2026, às 13h34
Entre os barcos de pesca artesanal e as águas calmas do extremo norte de São Sebastião, um fragmento da história do Brasil do século XIX resiste ao tempo. A praia da Figueira guarda, além do mar sem ondas, as ruínas de uma antiga fazenda de escravos em meio à Mata Atlântica.
O destino fica entre a praia das Cigarras e a praia de São Francisco, com acesso direto pela avenida Manoel Teixeira, ao lado da rodovia. O local apresenta uma faixa de areia estreita, de cor escura e fina.
A calmaria da água dita o ritmo da comunidade, que tem a pesca artesanal como atividade principal. Um píer de madeira concentra o fluxo de embarque e desembarque dos barcos na costa.
Para vivenciar o diferencial da Figueira, o turista precisa dar as costas para o mar. A 260 metros de altitude, dentro do Parque Estadual Serra do Mar (Pesm), o Sítio Arqueológico São Francisco expõe mais de um milhão de metros quadrados de história, com vista panorâmica para o canal.
O espaço, descoberto em 1991 pelo arqueólogo Wagner Bornal e ampliado por novas expedições em 2007, preserva as ruínas de uma antiga capela, fornos, pontes e um complexo de senzalas interligadas por estradas originais. A área exibe também alicerces intactos e fragmentos de cerâmicas, telhas e porcelanas.
Para chegar à Praia da Figueira partindo do centro de São Sebastião, o motorista deve seguir pela Rodovia Rio-Santos (SP-055) no sentido norte por cerca de 15 quilômetros.
O acesso principal ocorre na altura do quilômetro 116, em uma via secundária próxima à Praia das Cigarras. Para quem utiliza o transporte público, as linhas de ônibus da concessionária Sou São Sebastião com destino à Enseada ou Canto do Mar possuem paradas próximas ao acesso.
Por ser uma área com faixa de areia estreita e vizinha a residências, não há bolsões de estacionamento oficiais. O visitante deve utilizar as ruas transversais permitidas, respeitando a sinalização municipal para evitar multas. É proibido estacionar no acostamento da rodovia, sob pena de guincho pelo DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem).
A Praia da Figueira não possui infraestrutura de quiosques, bares ou restaurantes na areia. A proposta do local é voltada ao ecoturismo e à tranquilidade, sendo recomendado que o visitante leve água e alimentos, desde que recolha todo o lixo gerado.
O mar apresenta águas extremamente calmas, com pouca profundidade e baixa ocorrência de correntes de retorno, o que favorece a prática de stand up paddle e canoagem.
A ausência de ondas torna o local seguro para crianças e idosos, funcionando como uma piscina natural em dias de maré baixa.
Durante os meses de inverno, entre junho e agosto, a Praia da Figueira torna-se um ponto estratégico para a observação de baleias-jubarte. Os cetáceos utilizam o canal entre São Sebastião e Ilhabela em sua rota migratória para águas mais quentes no Nordeste.
De acordo com registros do Instituto Argonauta e do Projeto Baleia à Vista, o número de avistamentos na região tem crescido anualmente, superando a marca de 700 registros em temporadas recentes.
O avistamento pode ocorrer diretamente da costa ou por meio de embarcações de turismo autorizadas que partem de praias vizinhas. As operadoras devem seguir normas rígidas de aproximação estabelecidas pelo Ibama para garantir a segurança dos animais e dos passageiros.
A prefeitura reabriu o patrimônio histórico para visitação após obras de infraestrutura. A trilha recebeu degraus e corrimãos de madeira. O espaço ganhou um deque de contemplação, placas informativas, recuo para embarque e um ponto de apoio equipado com itens de primeiros socorros.
Por estar inserida em uma área de transição para o Parque Estadual Serra do Mar, a Praia da Figueira segue normas ambientais rigorosas. É proibida a entrada de animais domésticos na areia, conforme a Lei Municipal 848/92, visando evitar a transmissão de doenças e o impacto na fauna silvestre local.
O uso de drones sem autorização prévia dos órgãos ambientais e da Aeronáutica é restrito, especialmente devido à proximidade com áreas de preservação. O descarte de resíduos deve ser feito exclusivamente em lixeiras instaladas nas vias de acesso, uma vez que não há serviço de coleta direta na faixa de areia.
O acampamento e a realização de churrascos na praia também são vedados por legislação municipal, sob pena de apreensão de equipamentos e multa
A Praia da Figueira tem ondas para surfe?
Não. Devido à sua localização geográfica e proteção natural, a praia apresenta águas muito paradas, sendo inadequada para o surfe. É ideal para esportes de remo.
É preciso pagar para visitar o Sítio Arqueológico São Francisco?
O acesso ao sítio exige agendamento prévio com guias credenciados pela Fundação Florestal. Pode haver cobrança de taxa de ingresso e de serviço do guia.
Tem onde comer na Praia da Figueira?
Não existem comércios na areia. Os restaurantes e mercados mais próximos estão localizados nos bairros vizinhos, Cigarras e São Francisco.
Pode estacionar na Rodovia Rio-Santos?
O estacionamento sobre a pista ou acostamento é proibido e sujeito a guincho. O visitante deve utilizar os recuos sinalizados ou as ruas transversais permitidas.
A trilha para as ruínas é difícil?
A trilha é considerada de nível médio devido à altitude de 260 metros, exigindo preparo físico moderado para a subida de quatro horas.
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