Costa Norte
Publicado em 29/11/2013, às 19h52 - Atualizado em 23/08/2020, às 14h10
A morte de Guapuruvus, árvore nativa da Mata Atlântica, tem preocupado autoridades ambientais e de segurança em São Sebastião. Esta semana, a Defesa Civil local notificou o DER para que tome providências com as espécies que estão em risco de queda às margens da rodovia Rio-Santos (SP-55), que corta vários bairros da cidade. A causa, ainda não identificada, está sendo motivo de discussões entre os profissionais da área, os caiçaras, e até mesmo os moradores mais antigos, que avaliam de várias formas o possível fenômeno. O secretário de Meio Ambiente da cidade, Eduardo Hipólito do Rego trabalha com duas hipóteses. A primeira apresenta uma probabilidade de, por ter sido um ano atípico, com volume de chuva muito grande, isso pode ter contribuindo para afetar diretamente a espécie. Hipólito lembra que a estação meteorológica do Instituto Educa Brasil, que mede vários parâmetros de clima diariamente, em quase 10 anos de funcionamento, não havia registrado tanta chuva como em 2013, bem distribuída ao longo de todo ano. “O grau de umidade pode, portanto, ter afetado as árvores ou favorecido a presença de parasitas.” A segunda está relacionada a uma possível invasão de uma espécie exótica extremamente agressiva, e que pode ter entrado na cidade pelos navios que chegam ao porto de São Sebastião ou por qualquer outra via. O secretário recorda que em países como os Estados Unidos, o mesmo aconteceu com o besouro chinês (Anoplophora glabripennis), que devastou florestas e que até hoje não conseguiu ser combatido, apesar dos altos investimentos do governo para medidas de controle.
A espécie O engenheiro agrônomo André Motta explica que o Guapuruvu (Shizolobium parahyba) é uma árvore de crescimento impressionante, de ciclo curto, e pioneira na recuperação inicial de áreas degradadas. Segundo ele, está ocorrendo um fenômeno aparentemente natural, que resultou na morte de todos esses indivíduos adultos, através do secamento e consequentemente podridão do tronco. “Pode estar ocorrendo o ataque de pragas ou algum tipo de doença não tolerante a determinados indivíduos, já que entre os bairros de Maresias, na costa sul, e Barequeçaba, região central, pode se verificar muitos exemplares secos”, enfatizou.
Principal praga Motta destaca que a principal praga indicada em bibliografia científica que ataca essa espécie é um besouro serrador de madeira da espécie Oncideres saga. Ele explica, que os danos às árvores causados por esses besouros advêm do seu comportamento de serrar galhos e troncos, provocando sua queda, que são usados para o desenvolvimento das larvas. A prefeitura informou que enviará técnicos da Secretaria do Meio Ambiente para acompanhar os trabalhos de remoção de árvores, para avaliação e coletas a serem enviadas a laboratórios especializados, para identificar as causas e buscar soluções rápidas. "A situação é grave e pode trazer estragos, em curto prazo. Estamos lidando com algo novo, sem qualquer certeza científica. Nestes casos convém se socorrer a análises mais aprofundadas e, agora, pedir às autoridades competentes, que retirem as árvores que ofereçam perigo.”