Casa de pau-a-pique da Etec - Paula Souza foi inaugurada

Costa Norte
Publicado em 10/10/2014, às 14h02 - Atualizado em 23/08/2020, às 14h25

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Ideia é resgatar a cultura e manter a memória caiçara entre os jovens

Uma casa de pau-a-pique, construída na Etec-Paula Souza, no Porto Grande, região central de São Sebastião, em parceria com a Sectur (Secretaria de Cultura e Turismo), foi inaugurada na sexta-feira, 10. O intuito é resgatar e manter a cultura local na memória dos jovens. A ideia faz parte do projeto já desenvolvido no Chão Caiçara, um espaço cedido pela secretaria na Rua da Praia, no qual, às segundas sextas-feiras do mês, acontece o Bate-papo com violão, um ponto de encontro para divulgação da literatura e dos costumes caiçaras. Bem aceita por vários profissionais que atuam na área, a Casa Caiçara da Etec agradou a escritora Maria Angélica Puertas, o artesão Nicinho e o caiçara Reinaldo Santana, dentre tantos outros que costumam frequentar o Chão Caiçara, para promover a cultura local. Lá se realiza a venda de artesanato, como chaveiros; colares; bonecos; pequenas canoas e peças em taboa e taquara; e uma variedade de objetos decorativos, todos confeccionados por artistas sebastianenses. No Bate-papo com violão, reúnem-se o idealizador do projeto, o artesão e produtor cultural Nicinho; a jornalista e escritora Maria Angélica; o mestre canoeiro, compositor e violeiro Evaldo Pereira; e o artesão Juliano Junqueira, que ainda se dedica à culinária da região. Entre uma conversa e outra, música e poema, os presentes interagem num cenário composto por um forno de farinha e um fogão à lenha no qual é feita a farinha de mandioca, o caldo de peixe ou café com garapa e bolinho de chuva. O objetivo do grupo é transformar o Chão Caiçara em um ponto de encontro para os amantes da cultura regional e resgatar o hábito da roda de conversa, ao som de boa música. Na opinião do artesão Nicinho, o projeto resgata os bons tempos de São Sebastião. “Meus pais sempre dizem que, antigamente, esse tipo de coisa era bem comum. Com o passar dos tempos, com a chegada da televisão e outras tecnologias, isso foi se perdendo e, hoje em dia, não se vê mais”. Para Maria Angélica, o espaço criado é uma maneira de reviver as histórias. Ela disse: “Trago meus livros antigos e gosto de recitar poesias da minha mãe Beatriz Puertas. Cheguei a vivenciar esse tipo de coisa; meus avós moravam perto da praça do Coreto e, à noite, as pessoas se reuniam para conversar. Eu e as outras crianças ficávamos brincando, e quando cansávamos, dormíamos nas esteiras que as nossas mães colocavam no chão perto das cadeiras onde estavam os adultos. Era muito gostoso!”. Para Evaldo Pereira, o Bate-papo com violão é uma maneira de divulgar, também, as suas composições musicais. “Gosto de fazer músicas falando da vida nas praias isoladas, dos naufrágios, de coisas que sei que aconteciam antigamente. Ou seja, é uma forma de resgate das nossas histórias”. Juliano Junqueira, por sua vez, considera a iniciativa simples, mas muito significativa para a cultura caiçara. A Etec (Escola Técnica Estadual) fica na rua Ítalo Nascimento, 366, no Porto Grande.