Denominada 'Ship-To-Ship', operação consiste na transferência de petróleo por meio de mangueiras entre dois navios atracados. Falha aconteceu durante operação no terminal da Transpetro, no início de novembro. Moradores relataram dor de cabeça, náusea e tontura no dia do vazamento
Da redação
Publicado em 04/12/2021, às 20h03 - Atualizado às 20h13
A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) confimou, na última quinta-feira (2), multa de R$ 262 mil à Petrobras por conta de uma grave falha na operação de produtos na região central de São Sebastião, no litoral paulista. O incidente, que ocorreu em 6 de novembro, liberou um gás tóxico e deixou parte do município sob mau cheiro.
A Compahia confirmou que o odor teve origem no píer sul do terminal da Transpetro. À época, era realizada uma operação, entre navios petroleiros, de transferência de produtos à base de compostos orgânicos voláteis (COVs). Moradores relataram dor de cabeça, náusea e tontura no dia do vazamento.
O Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros) relatou, em nota publicada no seu site, que o vazamento de gás acionou o sistema de alarme, mas que “o responsável pela operação ordenou apenas a redução da vazão”. Ainda de acordo com o Sindicato, o procedimento correto, recomendado por normas de segurança, seria a interrupção.
A nota do Sindipetro informou mais detalhes da incidente, ocorrida há cerca de um mês. “A manutenção da operação, que emanou gases tóxicos e cancerígenos, além de expor os trabalhadores a uma nuvem desses gases, provavelmente fez com que uma pluma gigantesca desses vapores se formasse sobre o píer, espalhando-se pela cidade lentamente, pois esses gases são relativamente pesados e se alojam em camadas baixas, o que causou o mau cheiro sobre os bairros próximos”, explica.
O Sindicato ainda destaca que falhas nas ações de controle da empresa são frequentes. “Se a Transpetro seguisse os rigorosos procedimentos de controle operacional, como alega a empresa, esse tipo de desvio não aconteceria com tanta frequência”, conclui em nota.
Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de São Sebastião não se manifestou a respeito do caso. manifestar a respeito do caso.
A operação denominada 'Ship-To-Ship' consiste na transferência de petróleo por meio de mangueiras entre dois navios atracados.
São Sebastião começou a realizar operações desse formato no ano de 2017. À época, a administração municipal declarou ser uma ação segura, sem riscos ambientais, e que aumenta a arrecadação da cidade.