Santos estuda proibir estacionamento na orla para destravar trânsito

Gargalo no trecho entre o canal 4 e o José Menino reduz velocidade média de veículos e ônibus; CET usa drones para analisar eliminação de vagas

Redação
Publicado em 20/09/2026, às 14h04

Lentidão diária no final da tarde faz engenharia de tráfego testar regras rígidas de parada de veículos - Arquivo/Prefeitura de Santos


A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos) estuda a implementação de restrições de estacionamento ao longo das avenidas da orla marítima, para conter os engarrafamentos diários no final da tarde.

Se confirmada, a proibição temporária de parada de veículos afetará o sentido SantosSão Vicente no trecho compreendido entre a avenida Siqueira Campos (canal 4) e o bairro do José Menino, ponto onde a pista tem duas faixas de rolamento.

O gargalo viário afeta as avenidas Bartolomeu de Gusmão, Vicente de Carvalho e Presidente Wilson a partir das 16h30. Segundo a engenharia de tráfego, o afunilamento não pode ser corrigido com intervenções geométricas ou obras estruturais na orla, o que torna a eliminação temporária das vagas de estacionamento a principal alternativa para liberar uma faixa adicional para o tráfego de passagem no trecho.



Para medir a eficácia da medida antes de sua implementação oficial, técnicos da CET utilizam drones em horários de pico para mapear os trechos exatos de retenção e a flutuação do volume de veículos de acordo com o dia da semana.

O objetivo é avaliar se o ganho de fluidez viária compensa a perda de vagas para frequentadores e comerciantes da orla.

Paradas de ônibus e lentidão no transporte coletivo

A circulação simultânea de cerca de 500 ônibus, sendo 300 linhas intermunicipais e 200 municipais, figura como outro fator determinante para o travamento da orla. A concentração de múltiplas linhas nos mesmos pontos de parada faz com que comboios de até sete coletivos ocupem as baias simultaneamente, bloqueando a faixa da direita e invadindo a faixa central no momento da reentrada na pista.



Atualmente, a velocidade comercial média dos ônibus em Santos é de apenas 9km/h, marca considerada muito abaixo do parâmetro ideal de 16km/h para vias urbanas. Como os pontos de ônibus na orla estão dispostos a distâncias curtas (entre 200 e 300 metros, atendendo ao perfil demográfico da cidade com alta proporção de idosos), a CET estuda redistribuir os abrigos e reorganizar as linhas por pontos intercalados para impedir a formação de filas duplas de coletivos.

A proibição temporária de estacionamento não é inédita no município. O modelo é aplicado há mais de duas décadas em grandes corredores de tráfego de Santos, como nas avenidas Conselheiro Nébias (sentido praia entre 17h e 20h), Ana Costa (período da manhã sentido centro e tarde sentido orla) e Washington Luiz (dias úteis das 12h às 20h).

Veículos parados em desacordo com a sinalização em horários restritos estão sujeitos a remoção por guincho para o pátio municipal.



Diagnóstico da mobilidade na orla de Santos

Trecho sob análise: avenidas da orla entre o canal 4 (Av. Siqueira Campos) e o José Menino (sentido São Vicente);

Horário crítico de retenção: a partir das 16h30;

Frota de coletivos operacionais no corredor: 300 ônibus intermunicipais e 200 municipais;



Velocidade comercial atual dos ônibus: 9km/h (ideal: 16km/h);

Distância atual entre pontos de parada dos coletivos: 200 a 300 metros;

Tecnologia de mapeamento utilizada: monitoramento aéreo com drones da CET-Santos.



Outras vias com restrição temporária existente: Av. Conselheiro Nébias, Av. Ana Costa e Av. Washington Luiz.

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