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Porto de Santos tem primeiro simulado de suspeita de ebola

Costa Norte
Publicado em 12/12/2014, às 09h28 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h39

- Costa Norte


Ação contemplou todos os passos que devem ser adotados

Pela primeira vez, o Brasil realizou um simulado para caso suspeito de Ebola em um porto, com uma embarcação não atracada. O exercício foi realizado na quarta-feira, 10, no porto de Santos. O objetivo é colocar em prática o protocolo elaborado para essa situação, servindo como treinamento das instituições envolvidas, em condições que simulam um caso real. O exercício é promovido pelo Ministério da Saúde, a Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP) e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com outras 12 instituições. Ao todo, mais de 150 pessoas participaram da simulação. A ação contemplou os passos que devem ser adotados, desde o aviso do comandante da embarcação sobre uma suspeita de caso de ebola à Agência de Navegação, até a retirada do paciente do navio pelo Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergências (Grau), além do monitoramento dos viajantes que tiveram contato com o infectado. Angelino Caputo, diretor-presidente da Codesp, disse: “A partir dos resultados, a equipe técnica avaliará a necessidade de ajustes e melhorias em algum procedimento”. Segundo ele, a integração entre as equipes que atuam nesse processo é a etapa mais delicada, por envolver as esferas municipal, estadual e federal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de transmissão da doença por viajante internacional é considerado muito baixo. Até o momento, houve apenas um caso suspeito pelo vírus ebola no Brasil. Mas, o Ministério da Saúde entende que é preciso estar preparado. Daniela Buosi, coordenadora geral de Vigilância em Saúde Ambiental do Ministério da Saúde, explicou: “Estamos aprimorando as medidas que devem ser tomadas para atendimento em um caso suspeito de ebola ou outros tipos de doenças. É um processo de constante aprimoramento. Estamos preparando o porto para qualquer adversidade em saúde pública”.

Simulação O exercício teve início às 9 horas com o aviso do comandante da embarcação sobre um caso suspeito de ebola à Agência de Navegação, situada no porto de Santos. Foi criado um paciente fictício, personificado por um empregado da Codesp, ao qual foi atribuída a função de servente de cozinha. Com 26 anos, o paciente fictício começou a trabalhar no navio no dia 2 de dezembro, quando a embarcação aportou em Serra Leoa, para o embarque de oito tripulantes. No dia 9 de dezembro, sete dias depois de sair de Serra Leoa, ele apresentou os primeiros sintomas como febre e náusea. Avisada pelo comandante, a Agência de Navegação repassa imediatamente as informações do caso para a Anvisa local e para a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp/Superintendência de Saúde Segurança e Meio Ambiente), ativando o Plano de Contingência. A Anvisa faz a comunicação ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de São Paulo (Cieves), que avaliará o cenário - com base nas informações dadas pelo comandante da embarcação - para confirmar se o caso se enquadra como suspeito. Com a confirmação do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de São Paulo, a Anvisa informará a Codesp/SPM e autorizará a atracação da embarcação no porto. Enquanto isso, a Codesp/SPM informará outros órgãos envolvidos no resgate do paciente: Codesp/GCT – Atracação; Polícia Federal; Praticagem; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); Capitania dos Portos; Receita Federal; Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp); Órgão de Gestão de Mão de Obra do Porto de Santos (OGMO-Santos) e Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP/PR). O Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergências (Grau) e o Instituto de Infectologia Emilio Ribas (IIER) são chamados pelo Cievs, para fazer a remoção e atendimento do paciente, assim como o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais também são notificados sobre o caso. O Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros fará a assistência via mar no resgate do caso suspeito. Após o resgate do paciente que, em uma situação real seguiria para o Hospital Emílio Ribas – em São Paulo, referência para o atendimento de ebola - a Anvisa orientou a desinfecção do navio, que foi feita por uma empresa privada. Por último, a Agência aplicou um questionário para monitoramento dos contactantes. “Essas cinco etapas são importantes para monitorar todo o processo que deve ser seguido em um possível caso suspeito de ebola ou outra doença, que vai desde o acionamento feito pelo capitão até o monitoramento dos viajantes contactantes”, finalizou Daniela Buosi.