“Agradeço a Deus por ter colocado a mão nesses anjos, porque não foi fácil o que eles fizeram ali. Eles não desistiram do meu marido nem por um minuto", disse a esposa, emocionada
Da redação
Publicado em 16/03/2022, às 08h23 - Atualizado às 09h34
Há um mês, mais precisamente no dia 13 de fevereiro, o aposentado Agnaldo José da Silva, 64 anos, foi socorrido no calçadão da praia em Santos por dois guardas civis municipais (GCM). Agnaldo teve uma parada cardiorrespiratória e a ação rápida dos oficiais lhe deu uma nova chance de viver.
Na manhã desta terça-feira (15), quando os oficiais foram homenageados pelo procedimento em cerimônia no Salão Nobre do Paço Municipal, o aposentado finalmente teve a oportunidade de agradecê-los pessoalmente.
Muito emocionado, as palavras do aposentado quase não saíram.
“Eu só tenho a agradecer a atuação deles. Tenho que dar os meus parabéns”.
A esposa, Valdete Paixão da Silva, e a filha, Paolla, também estavam presentes. Valdete, inclusive, teve a honra de entregar as medalhas Oswaldo Justo - a condecoração mais alta da corporação - ao coordenador da GCM, Antonio Carlos da Silva, e ao inspetor-chefe, Adelmar Miranda da Silva Filho, pelo desempenho honorável diante da situação.
“Agradeço a Deus por ter colocado a mão nesses anjos, porque não foi fácil o que eles fizeram ali. Eles não desistiram do meu marido nem por um minuto. Parabenizo os guardas e que continuem com essa profissão linda, porque eles ganharam uma nova família. É uma gratidão eterna. Enquanto eu viver, minhas orações serão para eles, porque mesmo se eu desse um presente, ainda não pagaria pelo que fizeram pelo meu marido”, disse a esposa, emocionada.
O prefeito Rogério Santos, que cedeu a Valdete a honra de entregar as medalhas, ressaltou a atitude dos guardas.
“Um gesto como esse é obrigação, nada mais do que obrigação, mas eles, e toda a guarda, fazem de coração. Eles têm orgulho de trabalhar nessa força e fazer um trabalho que muitas vezes vai além dos seus deveres como guardas. Eles foram treinados para isso e tiveram papel fundamental nessa ação. Eles são um orgulho muito grande para toda a Cidade”.
Para os guardas, o reencontro com Agnaldo foi um presente.
“É um momento de bastante alegria. O importante para nós é poder vê-lo aqui, bem, e dizer que estamos sempre preparados para atender a todos os tipos de ocorrência”, disse Aldemar, que se sentiu honrado ao receber sua primeira medalha. “É gratificante, pelos 33 anos que tenho de atuação na GCM. Eu já poderia estar em casa, mas não, quero continuar na corporação, porque ainda tenho saúde para ajudar outras pessoas”.
Também estavam presentes membros da corporação, o coordenador da área de cardiologia da Santa Casa de Santos, Philipe Saccabi, um dos médicos que atendeu Agnaldo; os secretários de Segurança (Seseg), Sérgio Del Bel, e de Governo (Segov), Flávio Jordão; o responsável pelo núcleo de Educação Permanente (NEP), do Samu, Washington Miranda da Cruz, e o coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias.
Dois dias após o ocorrido, quando Agnaldo ainda estava internado, os guardas se encontraram, no local onde o aposentado foi atendido, com a esposa, a filha e o neto Pietro. Na época, o contato rendeu lágrimas de felicidade e abraços de gratidão.
A assistente de operações comerciais, Paolla Carolinna Paixão da Silva, 32, filha de Agnaldo, fez questão de abraçar e agradecer os guardas municipais. O “muito obrigada” saiu em meio ao choro. Ela conta que, se não fosse a mobilização rápida dos agentes, talvez o pai dela não estivesse vivo.
“Eles foram excepcionais. Foi Deus que colocou os dois no caminho. A gente fica toda hora pedindo explicação para o que aconteceu. Mas meu pai tinha que estar aqui porque havia anjos esperando por ele. Se tivesse em casa, não teria resistido porque ele foi a óbito e voltou. É muita gratidão. Devo minha vida a eles”.
O aposentado passou cinco dias internado, sendo que dois foram na UTI para monitoramento após passar por cateterismo e uma angioplastia.
"Meu pai diz que agora tem duas datas de nascimento: o 9 de setembro e o 13 de fevereiro de 2022”, contou Paolla.
SUSTO
Agnaldo passeava com o neto, Pietro, 13 anos, e passou mal em frente ao monumento ‘Eu Amos Santos’, por volta das 11h50 do dia 13 de fevereiro. Pietro conta que foi tudo muito rápido. “A gente estava caminhando e brincando um com o outro. De repente, ele segurou minha mão, disse que não estava bem e caiu. Daí, as pessoas ajudaram a deitá-lo no chão”.
A viatura com os agentes passava pelo local naquele momento. O coordenador da GCM, Antonio Carlos, diz que foi prontamente socorrer a vítima, enquanto o colega, o inspetor-chefe Adelmar, acionava o Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu).