Grupo Mulheres Grandes Guerreiras realiza desfile de moda com moradores da bacia do mercado

Com apoio do Instituto Procomum, evento gratuito aconteceneste sábado, às 14h e apresentará o resultado de uma oficina de costura quereúne homens e mulheres trans

Da redação
Publicado em 27/10/2022, às 17h41 - Atualizado em 28/10/2022, às 12h01

Evento, gratuito, acontece neste sábado, às 14h, no Instituto Procomum Instituto Procomum - Divulgação


Em processo de retomada das atividades presenciais, o Instituto Procomum realiza uma série de encontros e atividades a partir da atuação dos grupos de trabalho que atualmente ocupam sua sede (R. Sete de Setembro, 52, Vila Nova), em Santos, litoral de São Paulo.

 A programação, gratuita e aberta ao público, contempla segmentos como arte, cultura popular, tecnologia, permacultura, economia solidária e moda, entre outros.

A produção é resultado de uma chamada pública realizada pela organização, que recebeu 45 propostas de grupos de trabalho. Trinta deles foram formados e hoje movimentam o espaço.



No dia 29 de outubro, sábado, às 14h, um desses núcleos de trabalho, o grupo Mulheres Grandes Guerreiras - formado em sua maioria por homens e mulheres trans que habitam a região da Bacia de Mercado, uma das áreas de vulnerabilidade social da cidade de Santos - apresentará um desfile de moda com peças e acessórios confeccionados durante os encontros periódicos que têm realizado no Instituto Procomum.

O evento, que se estenderá das 11h às 20h, contará ainda com oficinas de pintura intuitiva e amigurumi e a participação de outros dois Grupos de Trabalho, Oju Obá (maracatu) e Reexistir (hip-hop e poesia falada).

Idealizadora do grupo Mulheres Grandes Guerreiras, a pedagoga e artesã Roberta Antunes atribui sua criação à necessidade de contrapor as dificuldades que as participantes enfrentam no dia a dia por conta de sua identidade de gênero.



“A ocupação do ateliê de costura, assim como a produção e a apresentação das peças em um desfile aberto ao público, é uma forma de combater a invisibilidade que muitas vezes os atinge”, reflete.

Roberta traz sua própria vivência como fonte de inspiração para as demais participantes. Ela viveu em um cortiço no Centro de Santos após a separação dos pais e, após o fim do próprio casamento, aos 25 anos, começou a trabalhar como faxineira e voltou a estudar. 

Formada em Pedagogia, trabalhou em outras funções até que decidiu empreender como artesã. “Assim nasceu o Pano da Terra e a decisão de passar meu conhecimento adiante”, conta.



Outras histórias marcantes de superação também serão celebradas na passarela. Casos, por exemplo de Kátia Paiva Deniz, a Mãe Kátia, mulher trans que já foi moradora de rua e hoje vive de seu trabalho como mãe de santo em uma religião de matriz africana; ou Maria Lúcia Ferraz, a Dona Lúcia, que abandonou sua profissão de enfermeira por problemas pessoais, mas recomeçou como auxiliar de limpeza e conseguiu se aposentar, entre outras.

O impacto das ações do Grupo de Trabalho Mulheres Guerreiras, inclusive, já tem atraído mais interessados, o que deve proporcionar a abertura de novas turmas em breve.

Outras ações no Instituto Procomum Ao longo do mês de outubro, outras ações movimentaram o Instituto Procomum. No último dia 13, por exemplo, o Lab Procomum recebeu a visita de alunos da Escola Portuguesa, também da Vila Nova, por ocasião do Dia das Crianças, contando com os grupos de trabalho ComumNidades e Circo com Vida como anfitriões.



Já entre os dias 18 e 20 de outubro, o Instituto promoveu a ativação de sua web rádio, com transmissão online e via streaming. Na ocasião, o convidado para uma oficina de comunicação livre foi o artista-ativista malasiano radicado em Berlim, Sumugan Sivanesan. Também ocorreram na sede do Instituto uma oficina de malabares e o encontro “HIV é Vida”, com o grupo Posithivas da Baixada Santista.

Outras atividades acontecem de forma periódica, como a disponibilização semanal dos ateliês ao público (“Ateliês Abertos”), que pode usufruir do espaço livre e gratuitamente; a ação “Biblioteca Viva”, projeto para a construção de uma biblioteca no Instituto; aulas de capoeira e de inglês; e a Oficina Cartolagem com o grupo Lumina, que cria artesanatos com material reciclável.