Com paredes de 40 metros de profundidade, obra de nova estação contra enchentes avança no Saboó, em Santos

Engenharia utiliza tecnologia de muretas-guia e contenção em concreto, para erguer reservatório na Zona Noroeste de Santos

Redação
Publicado em 18/09/2026, às 15h30

Intervenção na Av. Engenheiro Augusto Barata busca conter ressacas e marés altas - Divulgação/Prefeitura de Santos


A complexa engenharia de combate às inundações no litoral paulista está em nova etapa na Zona Noroeste de Santos. As equipes técnicas iniciaram a instalação da estrutura de contenção em concreto armado, as chamadas paredes-diafragma, para a fundação do reservatório da estação elevatória com comportas 6 (EEC6).

Localizada na avenida Engenheiro Augusto Barata, no bairro do Saboó, a estrutura foi projetada para mitigar o crônico problema de alagamentos provocado pela combinação de tempestades intensas com a elevação da maré alta.

O novo reservatório terá área de 1,3 mil metros quadrados (espaço equivalente a cerca de cinco terrenos residenciais urbanos). Na fase atual de fundação, máquinas e operadores atuam na montagem de muretas-guia temporárias, que servem como moldes de precisão para balizar a perfuração profunda do solo e a concretagem das paredes definitivas.



A técnica de parede-diafragma moldada no próprio terreno atinge uma profundidade vertical de 40 metros. A cortina contínua de concreto funciona como uma barreira física subterrânea, contendo a pressão do solo e bloqueando as infiltrações do lençol freático no canteiro de obras.

Capacidade de bombardeamento e bairros beneficiados

A estação elevatória será a segunda de grande porte em operação na Zona Noroeste, somando-se à EEC7 Engenheiro Marcos Diniz (localizada no final da avenida Haroldo de Camargo), ativada em maio de 2023, para atender aos bairros Castelo, Areia Branca, e Jardim Guassu, em São Vicente.

O projeto prevê a operação de oito conjuntos de motobombas verticais movidas a diesel. Cada equipamento terá capacidade de bombeamento de 2,5 metros cúbicos de água por segundo, vazão capaz de retirar o volume equivalente ao de uma piscina olímpica completa em apenas dois minutos.



A área de intervenção faz divisa com a bacia de contribuição do antigo rio Furado. O plano diretor de drenagem prevê que o sistema seja complementado no futuro pelas futuras estações EEC0 e EEC9, direcionadas ao atendimento do Chico de Paula e da Vila Haddad.

Etapas técnicas do terreno e parceria de canalização

Projeto integra programa de macrodrenagem para conter cheias na Zona Noroeste - Divulgação/Prefeitura de Santos

Devido às características instáveis do solo no estuário, a obra exigiu uma preparação prévia complexa antes do início da contenção. Foram instalados cerca de 46 quilômetros de geodrenos a 20 metros de profundidade, combinados com um "colchão drenante" de areia grossa e geogrelhas sintéticas de reforço.

O sistema acelera o adensamento do solo e a expulsão da água armazenada nas camadas mais profundas. A intervenção na avenida Engenheiro Augusto Barata abrange dois trechos distintos:



Lado Saboó: fase em que os recalques do solo passam por monitoramento contínuo de estabilização, antes da edificação da casa de bombas e das tubulações de recalque;

Lado porto: etapa de cravação de estacas metálicas para sustentação da câmara de carga e instalação das tubulações.

Paralelamente à construção da estação, desenvolve-se o projeto de canalização do rio Lenheiros, executadas em parceria com a operadora ferroviária MRS Logística e o governo federal.



A intervenção ferroviária prevê a substituição de antigos tubos por um pontilhão de 13 metros no trecho do Chico de Paula, viabilizando a passagem das novas galerias de drenagem sob a linha de trem em direção à avenida Martins Fontes.

O investimento na EEC6 é de R$153,3 milhões, viabilizado por meio de financiamento internacional com a Corporação Andina de Fomento (CAF), dentro do programa Santos Mais, que abrange um conjunto de 13 estações elevatórias e 14 sistemas de comportas no município.

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