Após 25 anos nas ruas, ativista fala sobre reinserção social

Convidado da Secretaria de Desenvolvimento Social, Rogério Barba participou de encontro no Parque Tecnológico, em Santos

Redação
Publicado em 27/02/2026, às 11h12

Evento reuniu integrantes da rede de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade - Prefeitura de Santos


O ex-morador em situação de rua e ativista social Rogério Soares, conhecido como Barba, participou na quinta-feira (26) de encontro no auditório do Parque Tecnológico, na Vila Nova, em Santos, Baixada Santista, para compartilhar sua trajetória e discutir políticas públicas voltadas à população em vulnerabilidade.

Convidado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Seds), Barba relatou ter vivido 25 anos nas ruas, enfrentando dependência química e sucessivas tentativas de tratamento. “O foco é transformar vulnerabilidade em oportunidade, dependência em reconstrução e exclusão em reinserção social”, afirmou Barba 

Durante a conversa, o ativista afirmou que comia restos do lixo até aceitar apoio social. “É assim que estabeleço diálogo e troca de ideias”, declarou à plateia formada por profissionais da assistência social e representantes do terceiro setor.



Segundo ele, o vício o afastou de oportunidades de trabalho e resultou em 14 internações. A mudança ocorreu em 2015, quando passou a ter contato com a rede pública de apoio no Distrito Federal. “Sou fruto do Centro Pop de Brasília e grato”, disse.

No Centro Pop, passou a compreender a dinâmica dos serviços e tornou-se voluntário. Com o tempo, ganhou a confiança da equipe e virou referência ao propor ideias e colaborar na transformação de outras vidas.

Além da própria história, ele destacou a importância de dar voz e visibilidade às pessoas em situação de rua. Para o ativista, três fatores estão entre os principais motivos que levam alguém a viver nessa condição: desemprego, problemas de saúde mental e dependência química. “Cada uma precisa de uma atenção diferenciada. Uma rede de apoio nada mais é do que uma parte do corpo e nós somos o terceiro setor, um braço fundamental do Estado”.



Atualmente, Barba é palestrante, apresentador de TV comunitária e fundador do Instituto Barba na Rua, no Distrito Federal. A entidade atua com acolhimento, distribuição de refeições, apoio psicológico e cursos de geração de renda. Também mantém um ônibus adaptado para oferecer banho e higiene à população vulnerável. “Levar alimentação e banho nos ajuda a estabelecer vínculo”, ressaltou.

A secretária da pasta, Renata Bravo, avaliou que a experiência contribui para o aprimoramento das ações locais. “É a fala de alguém que tem uma vivência sofrida nas ruas e hoje auxilia nas políticas públicas sociais. Precisamos ter um olhar diverso”.

Representantes de organizações que atuam na rede de apoio também participaram do encontro. Para Joelmir Silva Rodrigues, da comunidade terapêutica Operação Vida, conhecer outras iniciativas amplia possibilidades de atuação. “Fazem a diferença na vida de outras pessoas para integrá-las na sociedade”



A diretora da ONG Médicos do Mundo, Márcia Busanello, destacou que “ouvir outras experiências possibilita repensar novas possibilidades de gerar vínculo entre a população em situação de rua e as equipes”.

Já o diretor do departamento de proteção especial da Seds, Kleber Pereira dos Passos, afirmou que o encontro fortalece as políticas públicas locais. “Compartilhar outras experiências fortalece as políticas públicas”.



Santos

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