Costa Norte
Publicado em 08/04/2016, às 13h35 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h07
*Foto: PMC
Por Marina Veltman
O município de Caraguatatuba registrou, na madrugada de quinta-feira, 7, o primeiro caso de morte por suspeita do vírus H1N1 na região. Julio Isao Mera, de 37 anos, foi internado na UPA (unidade de pronto atendimento) do Jardim Primavera na noite de quarta-feira, 6, com síndrome de insuficiência respiratória, vindo a falecer horas depois. Devido aos sintomas apresentados, foi levantada a suspeita de H1N1, agora em avaliação pelo departamento de vigilância epidemiológica do município.
Em nota, a prefeitura explica: “A Secretaria de Saúde está averiguando o óbito. Desde o início deste ano, Caraguá registrou 11 notificações de H1N1 no total, sendo um caso positivo, três negativos e os outros sete (incluindo o óbito) em investigação”.
O caso já confirmado da doença foi de um morador do bairro Caputera, de 52 anos, que recebeu alta e passa bem. Os outros seis casos suspeitos estão em avaliação, dos quais três em pacientes ainda internados na Casa de Saúde Stela Maris – todas mulheres, de 61, 37 e 30 anos, moradoras do Morro do Algodão, Pontal Santa Marina e Pegorelli, respectivamente. Apesar da suspeita de H1N1 e internação, a Secretaria de Saúde do município informa em nota que as pacientes passam bem. Os outros três casos suspeitos, de pacientes já com alta, eram de moradores dos bairros Golfinho, Jardim Terralão e Pegorelli.
Já em São Sebastião, de janeiro a março deste ano, foram notificados sete casos de síndrome respiratória grave, dos quais quatro resultaram negativos, um confirmado pelo critério clínico de Influenza não especificada e dois aguardam resultados, um deles de morador residente em Caraguatatuba. Apesar de boatos de morte de morador em decorrência da doença, no Hospital de Clínicas de São Sebastião, terem tomado a internet ao longo da última semana, o departamento de Comunicação da prefeitura ressaltou que, até o momento, a cidade não teve nenhum caso específico de H1N1 confirmado.
O vereador José Reis (PSB), de São Sebastião, abordou a preocupação popular em requerimento feito à prefeitura na sessão desta semana: “A H1N1 é uma epidemia hoje e a preocupação da população com relação ao vírus é enorme. Nosso município é muito vulnerável e precisamos de respaldo para controlar a doença”. Em Ilhabela, a prefeitura divulgou ter aumentado o fornecimento de álcool em gel para as unidades de saúde, orientando equipes para divulgação e medidas de profilaxia.
Vacinação
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a vacina é capaz de promover imunidade efetiva e segura durante o período de circulação sazonal do vírus, que este ano começou mais cedo. A vacinação na rede pública é feita anualmente para prevenir a doença, indicada para crianças de seis meses a menores de 5 anos, puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde (público e privado), indígenas, pessoas com doenças crônicas, grupos com 60 anos ou mais e população prisional.
Apesar do anúncio do governo do estado de adiantamento da campanha de vacinação contra o vírus em São Paulo, capital, até o fechamento desta edição a campanha de vacinação contra a Influenza não seria antecipada na região. Em São Sebastião, está confirmada a manutenção do cronograma normal de vacinação na rede pública: entre 30 de abril e 20 de maio.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, a influenza é uma infecção viral aguda do sistema respiratório, de elevada transmissibilidade e distribuição global, também chamada de gripe e influenza humana. Seu vírus se subdivide em A, B, e C. Dentre estes, os mais importantes em relação aos que provocam a gripe humana são os subtipos A e B. O vírus do H1N1 pertence ao subtipo A, isto é, integra o grupo da Influenza. Milene Cordeiro, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, e Givanildo Ferreira Tavares, diretor do Departamento de Vigilância em Saúde explicaram que é importante entender que o H1N1 é um tipo de gripe que pode se agravar para uma síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
Até 22 de março deste ano, ainda segundo a Secretaria Estadual de Saúde, foram notificados 324 casos e 42 óbitos por SRAG atribuíveis ao vírus Influenza. Desse total, 260 casos e 38 óbitos foram relacionados ao vírus A (H1N1).
Transmissão
A transmissão é direta de pessoa a pessoa e o mais comum é por meio de gotículas expelidas pelo indivíduo infectado ao falar, espirrar e tossir. Também há evidências de transmissão pelo modo indireto: por meio do contato com as secreções de partículas virais diretamente nas mucosas oral, nasal e ocular. Os principais sintomas são febre alta, tosse, dor muscular, dor de cabeça, dor de garganta, coriza e irritação nos olhos e nos ouvidos.
Já o tratamento envolve repouso, beber muito líquido, evitar álcool e cigarro. Segundo a Secretaria de Saúde de Caraguatatuba, medicamentos como o paracetamol podem ser usados para combater febre e dores, e em casos graves ou em grupos de risco pode ser recomendado medicamento antiviral.
Como se precaver:
Mantenha higienização frequente das mãos, principalmente antes de consumir algum alimento; Utilize lenço descartável para higiene nasal. Cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir e higienize as mãos com água e sabão ou álcool gel; Evite tocar as mucosas dos olhos, nariz e boca; Não compartilhe objetos de uso pessoal (talheres, pratos, copos ou garrafas); Mantenha os ambientes ventilados e evite contato próximo a pessoas que apresentem sintomas ou sinais da Influenza. Evite, também, aglomerações e ambientes fechados; Adote hábitos saudáveis com alimentação balanceada e abuse dos líquidos; As gestantes devem procurar o serviço de saúde caso apresente os sintomas da síndrome gripal. Após o nascimento do bebê, se a mãe estiver doente, deve usar máscara e lavar as mãos antes de amamentar e manipular suas secreções.