Quem pedala por uma ciclovia no bairro Guilhermina, por exemplo, passa por cima de uma estrutura essencial para a cidade e nem percebe
Redação
Publicado em 11/07/2025, às 11h14
Enquanto você caminha, pedala ou trafega por uma rua ou avenida de Praia Grande, águas estão fazendo um trajeto semelhante, logo abaixo do local onde você passa, sob ruas, avenidas e até ciclovias. A rede de drenagem da cidade forma uma malha de 62 quilômetros de canais embaixo da terra. Alguns deles são fáceis de ver, já outros ficam mais escondidos.
Muita gente não sabe, mas pedala diariamente em cima de um canal na avenida São Paulo, no bairro Guilhermina. É que neste local, o canal foi coberto e essa cobertura foi aproveitada na implantação da ciclovia. Os canais podem ser de vários tipos, como os artificiais (feitos por máquinas), como o Acaraú-Mirim. Também podem ser abertos, como o Xixová, ou fechados, como o canal da avenida São Paulo.
Por essas “estradas subterrâneas” passam as águas da chuva (pluviais). Primeiro elas entram nos bueiros, depois vão para os canais e finalmente deságuam nos rios que banham o município (Branco, Preto e Piaçabuçu) ou na praia.
Em municípios como Praia Grande, nos quais fatores como alta densidade populacional, chuvas intensas e proximidade com o mar influenciam diretamente no escoamento das águas, contar com um sistema eficiente de drenagem é fundamental para evitar alagamentos, erosões e outros impactos negativos, como poluição dos rios e do mar.
Por isso, a cada 3 meses, a limpeza desses canais é realizada. Para estas ações, a administração municipal investiu em uma retroescavadeira anfíbia, capaz de operar na terra e na água. É feito o desassoreamento, para remover sedimentos acumulados no fundo do canal, capinação para remover vegetação das laterais e há ainda inspeções periódicas para identificar possíveis erosões, fissuras e obstruções.
A parte mais conhecida de todo o serviço é o sistema de microdrenagem, essencial para evitar o acúmulo de água nas ruas e calçadas durante períodos de chuva intensa. Em Praia Grande, esse sistema conta com 21.098 bocas de lobo; 530 bueiros e 12.351 poços de visita.
De acordo com o subsecretário de áreas verdes e resíduos da Secretaria de Serviços Urbanos, Marcelus Condé Machado, a gestão eficaz das águas pluviais em áreas urbanas é um dos desafios mais críticos enfrentados pelas cidades modernas. “Sem um sistema adequado, a água da chuva pode infiltrar-se no solo e causar erosões, comprometendo a estabilidade de edificações e vias. Ao conduzir essa água para pontos de descarte seguros, o sistema protege os investimentos públicos e privados em infraestruturas, evitando desastres, reparos e interdições, o que se reflete em bem-estar para a população da cidade”, disse.
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