Família tem prejuízo de R$ 75.000 ao comprar casa em Praia Grande: “Era tudo que tinha, agora perdi"

Mecânico de Guarulhos afirma que juntou dinheiro por meia década e vendeu carro para adquirir imóvel na praia para ele e seus pais idosos, mas sonho virou pesadelo: vendedores sumiram, após receberem dinheiro. “É uma coisa abominável. Cruel demais”, lamentou trabalhador

Da redação
Publicado em 11/08/2021, às 15h59 - Atualizado em 13/08/2021, às 17h29

Imagens da residência anunciada pelos golpistas, localizada na rua Antonio Raposo Tavares, no bairro Aviação, em Praia Grande Família paga R$ 75.000 por casa em Praia Grande e descobre que caiu em golpe: “Era tudo que eu tinha, agora perdi” - Flávia Souza


Uma família de Guarulhos (SP) amargou um prejuízo de R$ 75.000 após cair nas garras de uma quadrilha de golpistas que age em Praia Grande, no litoral de SP. “Era um dinheiro suado meu. Trabalhei durante muito tempo pra juntar. Juntei mais de cinco anos. Vendi meu carro. Era tudo que eu tinha, agora eu perdi”, lamentou o mecânico Wilson Araújo, de 39 anos - vítima do golpe junto de seus pais e um irmão - em entrevista ao Portal Costa Norte, nesta quarta-feira (11).

De acordo com Wilson, a casa na praia era um desejo antigo de seus pais, e também dele. “Eu queria realizar meu sonho e dos meus pais, porque meus pais eram doidos pra ter uma casa na praia. Meu pai sempre falou que se ele tivesse condições, ia comprar uma casinha na praia. E eu acabei embarcando junto, porque a gente mora junto e a gente é uma família unida e um compartilha o sonho do outro", justifica Wilson, que completa. 

"Então eu falei, nada mais justo do que eu pegar e comprar essa casinha e a gente vai melhorando ela juntos. Só que infelizmente eu pulei de cabeça, desconfiei um pouquinho no começo, mas depois eu me soltei totalmente”, reflete o mecânico.



Wilson afirma que, há pouco mais de uma semana, no último dia 2, se interessou por um imóvel localizado no bairro Aviação, anunciado na OLX pelo valor de R$ 79.000. Ele, então, entrou em contato com a anunciante, que se identificou como Priscila.

De acordo com o mecânico, durante o contato, Priscila afirmou que o imóvel estava com R$ 5.000 de IPTU atrasado, e ele fez a ela uma proposta de assumir o IPTU e pagar mais R$ 70.000, e Priscila aceitou. “Eu imaginei, na minha cabeça, se ela estava falando que tinha IPTU atrasado, não devia ser golpe”, relembrou-se Wilson.

Após fechar o acordo, a suposta proprietária combinou de exibir o imóvel aos pais de Wilson antes do pagamento e, na última sexta-feira, o casal de idosos saiu de Guarulhos e foi até Praia Grande.



No local, outra mulher, que se identificou como Carla, se apresentou e disse ser a caseira no imóvel, mas alegou que estava sem a chave da casa. A mulher, disse Wilson, passou a chamar seus parentes que estariam no local, mas ninguém apareceu. Carla, então, pediu para que o casal aguardasse até às 15 horas, mas os pais de Wilson, idosos, tiveram que retornar para Guarulhos.

Convencidos, Wilson e seus familiares deram continuidade às negociações. No dia seguinte, a suposta mãe da proprietária, que se identificava como Regina, marcou de encontrar os pais do mecânico em um cartório de Mauá e lhes entregou um suposto contrato com firma reconhecida. 

Na ocasião, Priscila, em contato por telefone com Wilson, prometeu enviar o restante da documentação assim que recebesse o dinheiro. No mesmo dia, Wilson transferiu o dinheiro para seu pai, que, por sua vez, transferiu os valores para uma conta indicada pelos supostos proprietários.



“Ela [Priscila] falou ‘Caiu na conta aqui.’”, relembrou-se, com pesar, Wilson. “'Amanhã eu mando o motoboy entregar os documentos [disse Priscila]'. Mas quando amanheceu no outro dia, meu irmão fez uma cara estranha e olhou pra mim. Aí eu falei, ‘O que foi?’. E meu irmão falou. ‘A foto dela sumiu do celular’. Eu olhei também no meu celular, e a foto dela tinha sumido do meu celular também. Ela tinha bloqueado nós dois. Aí eu falei, 'meu Deus do céu. Foi golpe'. Aí que eu caí em si. Foi golpe.”, lembrou Wilson.

Durante o transcorrer do embuste, Wilson afirma que inicialmente desconfiou, mas foi convencido por Priscila. “Ela começou a me induzir de tal modo que eu acho que eu fui caindo na armadilha. Aí, eu acabei cedendo. Acho que a ansiedade foi tanta, ali na hora, de realizar um sonho, de ter uma casa, de dar uma casinha pros meus pais, que eu acabei cedendo”.  justificou o mecânico, que completou, chorando.

me sentindo péssimo. Já chorei demais porque é um dinheiro muito suado. Toda vez que eu me lembro disso, saber que eu vou ter que começar do zero de novo. A gente que é mais simples trabalha tanto, e a gente é tão inocente. Eu estava com uma vontade tão grande de comprar uma televisão grande, e eu falava, ‘Não! Vou juntar dinheiro porque não é isso que eu quero agora’, eu priorizei a casa. Abri mão do meu carro, de muita coisa, fiz muitos sacrifícios pra juntar esse dinheiro. É doloroso demais, não desejo isso pra ninguém”.



Após o sumiço dos supostos vendedores e de seu dinheiro, na segunda-feira (9), Wilson foi ao cartório em Mauá e à casa em Praia Grande que achava que seria dele e de seus pais, mas não encontrou pistas da quadrilha. Wilson também descobriu que a casa à venda em Praia Grande está habitada e questionou os residentes. Segundo ele, os moradores afirmaram não saber nada sobre a suposta proprietária. Na mesma data, o mecânico denunciou o golpe à polícia de Praia Grande.

“Eu desejo, no mínimo, que elas sejam presas. Umas pessoas dessas, que faz isso pra uma pessoa de boa índole, que trabalha. Eu gostaria que elas fossem presas pra não fazerem isso com mais ninguém. Porque é uma coisa terrível a pessoa ficar juntando seu dinheirinho e passar por isso, é uma coisa abominável. Cruel demais. Ela [Priscila] foi tão maldosa, que eu perguntei se ela aceitava só o sinal e ela falou que não aceitava, porque tinha caído em um golpe”, conclui, com desânimo, o mecânico.

De acordo com informações do boletim de ocorrência, o caso foi registrado como estelionato no 2º DP de Praia Grande. Não há suspeitos identificados.