"Ele sofre discriminação social, nos lugares que ele vai, não deixam ele entrar. Ele não pode comprar uma roupa, não pode comprar algo para comer, não deixam ele entrar em lojas e restaurantes", ressaltou Flávia Nunes de Lima, amiga de Cornélius
Da redação
Publicado em 12/02/2021, às 21h18 - Atualizado às 21h26
Vítima de um tumor no rosto e outro que está nascendo nos ombros, Cornélius Pagliaccio, 57 anos, aguarda por mais de um ano para realizar a cirurgia e ter mais paz. Cornélius é catador de latinhas e sobrevive do dinheiro para comer e se manter. A única pessoa que o ajudava financeiramente, seu vizinho, veio a óbito no ano passado.
Por estar sempre na rua, Cornélius anda por diversos lugares de Praia Grande, e em um desses percursos, encontrou Flávia Nunes de Lima, 30 anos, seu "anjo da guarda". Flávia trabalha em uma lanchonete perto da rodoviária de Praia Grande e diante da situação, imediatamente decidiu ajudar Cornélius a conseguir uma cirurgia.
"Ele é uma pessoa que precisa financeiramente e não tem mais ninguém para ajuda-lo. Não é do meu sangue mas poderia ser alguém da minha família", ressaltou Flávia. Após conversas e de saber mais sobre a vida do novo amigo, ela fez um post que viralizou em seu Facebook, para contar sobre o caso e pedir ajuda.
"Ele sofre discriminação social, nos lugares que ele vai, não deixam ele entrar. Ele não pode comprar uma roupa, não pode comprar algo para comer, não deixam ele entrar em lojas e restaurantes. Então ele precisa dessa cirurgia, pois, além de estar mexendo como físico dele, também mexe muito com o emocional e isso não é justo. Eu creio que com a divulgação do caso dele, outras pessoas possam ajuda-lo a realizar a cirurgia com mais rapidez", afirmou emocionada.
A batalha da vida
Cornélius mora perto da rodoviária, em um lugar pequeno, sem geladeira e outros utensílios básicos. Mas, seu maior desejo no momento, é realizar a tão sonhada cirurgia.
Para Flávia, o ideal é que ele tenha aposentadoria, pois, ninguém chama Cornélius para trabalhar, por causa da sua aparência. Diante disso, ele precisa catar latinhas na cidade para sobreviver.
O câncer
Foi em 1996 quando apareceu um pequeno caroço na cabeça, e que agora está por todo rosto. Os médicos falam que o tumor tem cura, contudo, a cirurgia precisa ser imediata. Flávia confirmou que ele procurou tratamento na cidade, já foi internado e realmente, tratado muito bem no hospital Irmã Dulce. Porém, cada dia que passa o caroço está maior e Cornélius não tem retorno do Estado ou da Usafa sobre sua cirurgia.
"Eu acho errado isso de parar algo na saúde por conta da pandemia, pois, se é algo essencial, não pode parar nada. É por isso que muitos morrem na fila esperando vaga, por conta disso. É um descaso total", finalizou a amiga.
Cornélius não tem contato telefônico, mas, a Flávia disponibilizou o dela para qualquer tipo de ajuda, 13 99788-3152.
Prefeitura de Praia Grande
A prefeitura de Praia Grande relatou, por meio de nota, que cirurgia e tratamento câncer são responsabilidade do Estado. E que, esse tipo de diagnóstico entra na fila de espera da Rede Hebe Camargo, do Estado. Informou também sobre as ações da prefeitura em relação às filas de espera de cirurgias e que, a Usafa atende 100% da população.
Quanto ao Hospital Irmã Dulce, a prefeitura informa que já está em fase inicial a reforma e reestruturação completa da unidade que vai resultar na ampliação em mais de 100 leitos (47 já foram entregues), reestruturação total da maternidade, além de um centro de hemodinâmica.
"Mesmo em meio à pandemia, diversas cirurgias, consultas em especialidades médicas e exames de média e alta complexidade estão com a fila de espera zerada ou equilibrada em Praia Grande", finaliza por meio de nota.