Atleta de triatlo sofreu queimaduras no tórax e no braço enquanto nadava na praia do Canto do Forte
Marina Aguiar
Publicado em 25/02/2021, às 15h55
O aparecimento de caravelas-portuguesas na cidade de Praia Grande tem se tornado frequente neste início de ano. O organismo é extremamente perigoso e pode causar parada cardiorrespiratória caso entre em contato com o tórax humano. Foi o que quase aconteceu com um atleta de triatlo no último sábado (20). Márcio Castilho, de 41 anos, estava praticando natação em mar aberto no Canto do Forte, com 14 amigos, quando sentiu uma facada no tórax.
A facada, no entanto, tratava-se da queimadura de uma caravela-portuguesa que, em seguida grudou em seu braço. “Meu tórax ficou bem machucado. Achei que era uma facada ou uma mordida de tubarão. Pensei logo num tubarão. Mas vi que não saía sangue e percebi o que era. Eu já tinha visto as caravelas-portuguesas enquanto nadava, uma mais afastada e outra mais perto. Aí os tentáculos dela enrolaram em mim e eu tive que quebrar”, explicou.
Por sorte, alguns amigos que acompanhavam a travessia marítima estavam com pranchas de stand up paddle e o levaram para a areia, onde Castilho foi socorrido pela Guarda Civil Municipal (GCM) e encaminhado, de viatura, para o Hospital Irmã Dulce. “Uma coisa interessante é que me deram banho com vinagre, não pode jogar água doce nem sabão, me orientaram”.
O caso de Castilho não é isolado no município. Segundo o atleta, um outro nadador foi queimado. “Ele ficou com o pescoço em carne viva”. Ainda segundo Castilho, essa foi a primeira vez que ele avistou o organismo na praia em cerca de 10 anos. “Eu surfei durante 15 anos e já vi, sim, caravelas-portuguesas na água, mas estava com a cabeça pra fora do mar, desviava, nunca encostei. Faço atividade náutica direto e não tinha visto mais”, afirmou.
Recentemente, as cidades da Baixada Santista tornaram-se cenário para as caravelas-portuguesas. Primeiro, elas apareceram mortas, no início do verão, depois foram registradas por banhistas vivas, na beira do mar. Mas os registros de queimaduras em banhistas ou atletas começaram há cerca de uma semana em Praia Grande.
Questionada sobre o aparecimento das caravelas-portuguesas na cidade, a prefeitura de Praia Grande informou que a Guarda Costeira prestou auxílio ao rapaz que sofreu queimaduras e que, de acordo com o inspetor do grupamento, Delfo Monsalvo, nesta época do ano é muito comum o aparecimento das caravelas-portuguesas e outros tipos de águas-vivas.
“Elas permanecem mais em águas calmas e profundas, não sendo tão comuns na área de arrebentação e águas mais rasas. E, ao contrário do que muita gente pensa, o ideal é não lavar a área com água doce e também não esfregar o local afetado”, afirmou Monsalvo.
A Secretaria do Meio Ambiente de Praia Grande enfatizou que os banhistas devem ficar atentos. A recomendação é que, se for preciso, procurar atendimento médico o mais rápido possível.
Caravelas-portuguesas
As caravelas-portuguesas são semelhantes às famosas águas-vivas, mas apesar de muito bonita, essa espécie de cnidário é extremamente perigosa e possui venenos que podem matar. De acordo com biólogos, o animal pode provocar queimaduras de terceiro grau causadas pelos tentáculos, que soltam uma substância urticante. Se o animal entrar em contato com a região torácica do corpo pode provocar uma parada cardiorrespiratória, o que pode ser fatal, principalmente em crianças.