População insatisfeita com serviços da Corpore

Costa Norte
Publicado em 09/11/2015, às 06h50 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h53

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*Foto: Marcos Pertinhes

Por Mayumi Kitamura

Após pouco mais de um ano de atuação em Bertioga, o Instituto Corpore tem recebido críticas pelo serviço prestado ao município. Dentre os atendidos, a maioria tem alguma queixa contra a gestora de saúde, fato que também ocorre em outras cidades nas quais atua. O nome da instituição aparece como réu em processos por danos morais e materiais, erro médico e violação de segredo profissional, este registrado em Caraguatatuba, pela Delegacia da Mulher. Os processos constam no site do Tribunal de Justiça de São Paulo e foram registrados entre 2013 e 2015, também, em Guarujá, Tatuí e Bertioga.



Entre as críticas feitas pelos usuários do sistema encontram-se a necessidade de locomoção a outras cidades, para a realização de exames,  e  sobre o atendimento médico. Na opinião da taxista Alessandra da Silva, a prestação de serviços da Corpore decaiu no último mês. Ela relata ter levado sua filha à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na terça-feira, 3, mas dois dias depois precisou retornar, pois a jovem não apresentou qualquer melhora. Alessandra também teve problemas com o novo atendimento, já que a médica recusou-se a fazer um atestado para sua filha. “Eu preciso deste atestado porque ela tem prova e, na escola em que estuda, cobram R$ 15 cada prova”.

No caso da repositora Elisabeth Campos, que se mostrou insatisfeita com a área da saúde no município, a principal queixa é por precisar, muitas vezes, ir até Santos ou Guarujá para fazer um exame. Já a atendente Emília Cruz acredita que o atendimento prestado pela antiga gestora era melhor do que o atual. “Às vezes, o médico nem olha para a sua cara, te maltrata e você fica mais doente”. Ela acredita que muitos médicos não estão recebendo pagamento e, por isso, não estão atendendo. Esta afirmação surgiu após, na última semana de outubro, surgirem rumores sobre uma eventual greve de alguns médicos, supostamente em protesto pela falta de remuneração.

Questionada sobre a situação, a prefeitura, em conjunto com a Corpore, informou que “em nenhum momento houve paralisação no atendimento aos pacientes nas unidades. O quadro médico ficou incompleto nos dias 28 e 29 de outubro, faltando um médico ortopedista e um pediatra. Reforçamos que a escala médica em sua totalidade é composta por 12 médicos, dos quais quatro são clínicos gerais, três pediatras, um ortopedista, um cirurgião, um anestesista e dois ginecologistas obstetras”.  Informou, também, que a ausência ocorreu devido a  um atraso no pagamento dos plantões de outubro, “no entanto, o município já normalizou o repasse das verbas e o Instituto Corpore, por sua vez, também já efetuou o pagamento aos profissionais. Informações sobre atraso no pagamento de dois meses são falsas e não passam de boatos”.



Prefeitura justifica valor gasto com servidores da saúde

Na semana anterior, o jornal publicou uma matéria sobre o aumento de quase R$ 1,5 milhão gasto pela secretaria da Saúde com os funcionários públicos, que atuam em serviços não atendidos pelo contrato com a Corpore. Procurada, a prefeitura informou que, até sexta-feira, 6, enviaria as respostas devido à complexidade das questões. De acordo com a Secretaria de Saúde, o acréscimo justifica-se da seguinte maneira: “Além do dissídio, que, em 2014, foi de 5,68% e, em 2015, de 6,59%, temos as promoções horizontais que são avaliadas e concedidas mensalmente, de acordo com o período aquisitivo de cada servidor, a promoção vertical que é concedida anualmente (em 2014 e 2015 foi concedida no mês de agosto), e a sexta parte paga aos servidores que completaram 20 (vinte) anos de funcionalismo junto à PMB”. Além disso, a Secretaria informou que, a partir do 2º semestre de 2014, a admissão de servidores efetivos, entre agentes comunitários, auxiliares de consultório dentário, enfermeiros e técnicos de enfermagem, acrescentou o valor de R$ 422.672, 21 no período.

Ainda, com relação às horas extras, apontou que houve economia no período avaliado na matéria, de janeiro a agosto dos anos de 2014 e 2015. Neste ano, o valor empenhado em horas extras no período foi de R$ 1.309.846,33, contra R$ 1.367.000,00 no ano anterior, representando 0,65% de redução. Apesar do apontamento, a Secretaria não apresenta a mesma meta de redução de horas extras aplicadas nas demais pastas, que é de até 75%, conforme o programa Fazendo Mais com Menos.