Situada dentro de estação ecológica, praia conta com areia fina e firme e ondas médias, mas não pode ser utilizada para atividades esportivas
Rodrigo Florentino
Publicado em 31/05/2026, às 15h02 - Atualizado em 21/06/2026, às 08h52
A Praia da Desertinha, em Peruíbe, possui 319 metros de extensão e está situada integralmente dentro da Estação Ecológica Jureia Itatins (EEJI). A faixa de areia é caracterizada por ser fina e firme, com mar de ondas médias que atrai atenção durante períodos de swell.
No entanto, por integrar uma Unidade de Conservação de proteção integral, a área é destinada exclusivamente a atividades de pesquisa científica e programas de educação ambiental. Segundo a Fundação Florestal, o ecossistema local é sensível e abriga remanescentes preservados de Mata Atlântica e vegetação de restinga.
A Praia da Desertinha está inserida em um dos núcleos mais preservados da Estação Ecológica Jureia-Itatins (EEJI), unidade de proteção integral gerida pela Fundação Florestal. Por estar em uma zona de preservação rigorosa, o ambiente serve como um laboratório natural para o monitoramento de espécies endêmicas da Mata Atlântica. A paisagem é composta por costões rochosos e uma vegetação de restinga densa que chega até a linha da areia.
Em relação à balneabilidade, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) não realiza coletas semanais de rotina diretamente na Praia da Desertinha devido ao seu isolamento e restrição de uso público. No entanto, o monitoramento é feito em praias próximas, como a do Guaraú.
De acordo com o histórico da fundação, as águas da reserva mantêm altos níveis de pureza pela ausência de urbanização e fontes poluidoras. Especialistas recomendam que o visitante consulte o mapa de qualidade das águas da Cetesb antes de planejar atividades de campo na região.
A geologia local apresenta areia compacta e de granulação fina, o que facilita a caminhada em pesquisas de campo, mas exige atenção quanto às marés. Em dias de ressaca, a faixa de areia pode ser totalmente coberta, tornando o trânsito entre os costões perigoso. A fauna local inclui a presença de aves marinhas e, ocasionalmente, o registro de pegadas de mamíferos terrestres que utilizam a praia como corredor ecológico entre os fragmentos de mata.
O acesso para a Praia da Desertinha exige planejamento. O trajeto a partir do centro de Peruíbe é feito por uma via asfaltada de 8 km que leva ao bairro do Guaraú. Em seguida, o visitante deve percorrer 14 km em estrada de terra até a Praia do Caramborê.
A partir do canto esquerdo do Caramborê, o acesso final ocorre por uma trilha de mata fechada com percurso de aproximadamente 30 minutos. Por não possuir sinalização oficial e apresentar trechos de difícil navegação, a recomendação da administração da reserva é que o trajeto seja realizado apenas com guias credenciados pela prefeitura ou monitores da Estação Ecológica.
O uso da Praia da Desertinha é regido pelo Plano de Manejo da Estação Ecológica Jureia Itatins. Diferente de praias urbanas, o local possui restrições severas para garantir a integridade da biodiversidade. É proibido o desembarque de lanchas ou motos aquáticas na areia.
Não é permitido acampar, acender fogueiras ou levar animais domésticos, conforme a Lei Estadual 14.982 de 2013. A ausência de quiosques e infraestrutura urbana exige que o pesquisador ou estudante leve seus próprios suprimentos, sendo obrigatória a retirada de todo o resíduo gerado ao final da visitação.
A Praia da Desertinha é frequentemente associada à prática do naturismo em fóruns de viagens devido ao seu isolamento geográfico. No entanto, a Prefeitura de Peruíbe informa que não existe legislação municipal que regulamente o nudismo no local.
Por estar inserida em uma Unidade de Conservação de proteção integral, as normas de conduta são estabelecidas pelo Plano de Manejo da Fundação Florestal.
O acesso é restrito a atividades de educação ambiental e pesquisa científica. O descumprimento das regras de uso público na reserva pode acarretar em sanções administrativas conforme as diretrizes da Estação Ecológica Jureia-Itatins.
A entrada na Praia da Desertinha para fins de educação ambiental deve seguir protocolos rígidos estabelecidos pelo Plano de Manejo da EEJI. O agendamento deve ser realizado com antecedência mínima junto à administração da reserva. Grupos escolares ou de pesquisadores precisam apresentar plano de trabalho detalhado e estar acompanhados por monitores ambientais credenciados.
Os guias autorizados para conduzir visitantes na região da Jureia possuem treinamento específico sobre a ecologia local e segurança em trilhas de mata fechada. Segundo a Prefeitura, o uso de guias não certificados é passível de fiscalização e impede o acesso aos pontos controlados da unidade. A contratação pode ser feita por meio de associações locais de monitores ambientais sediadas no bairro do Guaraú.
O trajeto pela trilha exige calçados fechados e vestimenta adequada para proteção contra insetos e vegetação espinhosa. Não há pontos de coleta de água potável ou sanitários no percurso, sendo responsabilidade do grupo levar recipientes reutilizáveis e remover qualquer resíduo sólido, incluindo material orgânico, para evitar a atração de fauna exótica ou alteração do comportamento dos animais nativos.
Durante o período de inverno, entre os meses de junho e outubro, a região de Peruíbe integra a rota de migração de grandes cetáceos, como a baleia-jubarte e a baleia-franca.
Segundo dados do Instituto Gremar, que realiza o monitoramento de encalhes e avistamentos na Baixada Santista e Litoral Sul, a Praia da Desertinha funciona como um ponto estratégico de observação devido ao baixo impacto humano e isolamento.
A presença de correntes frias nesta época do ano favorece a aproximação dos animais da costa. Além dos mamíferos marinhos, a área é um refúgio para a avifauna. Pesquisadores da Fundação Florestal registram a presença constante de aves como o gaivotão e o atobá-pardo, que utilizam os costões rochosos para descanso.
A vegetação de restinga preservada também abriga o formigueiro-do-litoral, espécie endêmica e ameaçada de extinção. A observação desses animais deve ser feita sem interferência, respeitando a distância mínima estabelecida pelas normas da Estação Ecológica Jureia Itatins para evitar o estresse das espécies.
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