Raios anticrepusculares - vistos do lado oposto ao sol no céu - apareceram nas duas últimas semanas de fevereiro; profissional acompanha fenômeno desde 2015
Da redação
Publicado em 02/03/2021, às 15h53 - Atualizado às 16h34
Um fotógrafo de Itanhaém registrou um fenômeno que, apesar de não ser raro, não é tão comum de ser percebido. Nícolas Schukkel tem 26 anos, é natural de Brasília (DF) e mora em Itanhaém há quase 15 anos.
Desde 2015, ele acompanha o aparecimento de raios anticrespuculares, ou seja, feixes de luz que se cruzam no céu e se encontram do lado oposto do sol. Os últimos registros foram feitos no Praião (Praia do Satélite).
Segundo especialistas, os raios anticrepusculares são os mesmos raios crepusculares, vistos antes do nascer ou após o pôr do sol, só que em lado oposto. "Registrei pela primeira vez, em 2015, sem saber exatamente o que seriam esses raios no céu, já que o sol estava se pondo no lado oposto do céu. De 2015 pra cá (período em que comecei a registrar), este fenômeno aconteceu exclusivamente entre as últimas duas semanas do mês de fevereiro, repetindo no máximo por 2 ou 3 dias", relatou Nícolas.
O fotógrafo explica que a impressão de uma fonte de luz intensa na atmosfera e oposta à posição do sol no céu é causada pela decorrência da dispersão dos raios do sol entre nuvens somado ao efeito provocado pela camada de ar em formato esférico acima de nossas cabeças.
"É um efeito muito raro, mas acontece. Mas o que sempre intrigou foi o fato disso acontecer somente no mês de fevereiro, e no período mencionado. Foi então que, com o auxílio de aplicativos para observação de astros (Star Walk 2, SkyView, entre outros), pude constatar que neste período, o "trajeto" do Sol passa justamente por trás da Serra do Itatins, em Peruíbe (SP) que é um pico extremamente alto (e o único de tais dimensões na região), atingindo mais de 1.000 m de altura, segundo mapas topográficos, onde o desenho do mesmo permitiria facilmente a evasão de fachos de luz, bem como também o bloqueio dos mesmos".
Ainda segundo o fotógrafo, há relatos do fenômeno também em Mongaguá, sua cidade vizinha.
Nícolas foi premiado em 2016 no concurso Revela Bertioga; foi eleito como fotógrafo revelação pelo Coletivo de Fotógrafos de Itanhaém (Cofit), em 2018; também foi premiado em 2018 e 2019 no Brasília Photo Show, maior concurso nacional de fotografia (entre as 400 melhores fotos do Brasil).