Quase metade das famílias diz "não": recusa trava doação de órgãos e mobiliza médicos em Ilhabela

Encontro do Setembro Verde no Hospital Mário Covas Jr. debateu protocolos de acolhimento, manutenção de potenciais doadores e etapas para transplantes

Redação
Publicado em 20/09/2026, às 16h45

Profissionais de saúde participaram de debates e atualizações técnicas sobre o processo que vai da identificação do potencial doador até o transplante de órgãos - Divulgação/Prefeitura de Ilhabela


A recusa de familiares para autorizar a retirada de tecidos e órgãos após a confirmação de morte encefálica permanece como um dos principais entraves para reduzir as filas de espera por transplantes no Brasil.

Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 45% das entrevistas realizadas com parentes de potenciais doadores resultam em negativa, o que impossibilita a continuidade do processo, pois a legislação brasileira condiciona a doação exclusivamente à concordância dos familiares de primeiro e segundo graus.

Para capacitar médicos, enfermeiros e equipes multidisciplinares a lidarem com essa abordagem e aprimorarem os protocolos clínicos de suporte, a prefeitura de Ilhabela realizou o II Simpósio sobre Doação e Transplante de Órgãos.



O evento, sediado no auditório do Hospital Mário Covas Jr. como parte das ações da campanha Setembro Verde, reuniu especialistas do arquipélago e da capital paulista.

O ciclo de palestras detalhou a cadeia operacional necessária para garantir a viabilidade dos órgãos, abrangendo desde a identificação precoce de pacientes em morte encefálica e a manutenção hemodinâmica na UTI até os procedimentos cirúrgicos e logísticos para os transplantes de rim, fígado, pâncreas e intestino, além do suporte a pacientes em hemodiálise.

Humanização da abordagem e o papel da conversa familiar

Além da precisão técnica exigida no diagnóstico e na manutenção do doador, os especialistas reforçaram a urgência de quebrar tabus sobre a morte e incentivar as pessoas a declararem em vida o desejo de ser doador aos seus parentes.



Na hora da perda, a decisão da família torna-se mais simples e consciente quando o desejo do paciente já era de conhecimento prévio dos familiares.

A qualificação das equipes hospitalares busca assegurar que a entrevista familiar ocorra em espaço privativo, com escuta empática e sem qualquer tipo de pressão, oferecendo todas as informações necessárias sobre o diagnóstico definitivo de morte encefálica e o impacto que o gesto pode ter na vida de outras pessoas que aguardam na fila única de transplantes.

Raio-X: O cenário da doação de órgãos no Brasil

Principal obstáculo: Recusa familiar na entrevista hospitalar (aprox. 45% de negativas no país).



Requisito Legal: A doação só é realizada com a autorização expressa da família (não é necessário deixar documento registrado em cartório).

Como se declarar doador: Avisar a família em vida sobre o desejo de doar órgãos.

Etapas do Processo:



Diagnóstico rigoroso de morte encefálica por exames clínicos e de imagem.

Notificação do potencial doador à Central de Transplantes estadual.

Manutenção dos sinais vitais e estabilidade hemodinâmica do paciente.



Entrevista e acolhimento da família para autorização.

Captação e transporte de urgência dos órgãos aos receptores compatíveis.

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