Familiares negam versão dos policiais de que jovem estaria armado com fuzil e reagiu à abordagem durante operação em comunidade. Polícia Militar instaurou inquérito interno para apurar conduta de equipe, disse secretaria de Segurança
Da redação
Publicado em 14/06/2023, às 08h13 - Atualizado às 09h38
A equipe de policiais envolvidos em uma operação que levou à morte o soldado Marcos Muryllo Costa terá a conduta investigada em um inquérito policial militar, informou a SSP (Secretaria de Segurança Pública) à reportagem no final da tarde de ontem (13).
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Na noite de domingo (11), Marcos Muryllo Costa foi morto durante uma operação da Polícia Militar na comunidade da Vila Baiana em Guarujá. Dias antes, um vídeo de criminosos armados na mesma comunidade viralizou nas redes sociais. Outros dois homens, 38 e 40 anos, foram presos em flagrante por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo na mesma operação.
O inquérito instaurado na Delegacia de Guarujá também apura os fatos, acrescentou a SSP. “Todos envolvidos e testemunhas estão sendo ouvidos para total esclarecimento da ocorrência”.
Em entrevista, a técnica de enfermagem Mayra Costa, irmã de Marcos, rechaçou a versão da PM de que uma reação de seu irmão, supostamente armado com um fuzil, teria sido a causa de sua morte durante a operação policial.
“Tem muita testemunha que mora lá. As testemunhas disseram que meu irmão gritava, ‘sou militar, sou militar’. E falavam pra ele, ‘você vai morrer’”, disse Mayra à reportagem nesta terça-feira (13). “Viraram ele de costas e alvejaram ele. É uma dor imensa, imensa, você perder alguém dessa forma, porque sabe o tanto que ele sofreu”, completou a jovem de 23 anos com a voz embargada.
Na segunda-feira, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) disse que Marcos entrou em luta corporal com um dos policiais e apontou um fuzil em sua direção. Segundo informações da ocorrência, uma identificação funcional do Exército Brasileiro em nome de Marcos Muryllo foi encontrada em seu poder.
Contatado, o Comando Militar do Sudeste não informou se o Exército pretende adotar alguma providência sobre o caso. Segundo informações de ontem do portal g1, o Exército Brasileiro disse que as circunstâncias da morte dele estão sendo apuradas e confirmou que o jovem era soldado da Bateria de Comando do Comando de Defesa Antiaérea em Guarujá (SP).
A versão dos policiais no boletim de ocorrência aponta que durante a luta corporal com um dos agentes iniciada na abordagem, Marcos sacou um fuzil "que estava em bandoleira presa na lateral do corpo dele" e, por isso, foi fatalmente alvejado por dois agentes.
“A gente quer prova, a gente quer que provem que esse fuzil era dele. Meu irmão nunca foi envolvido com nada, nunca. Eles colocaram do lado do meu irmão um fuzil”, afirma Mayra. “Meu irmão era um homem negro que cresceu em comunidade. E não é porque é preto e de comunidade que é bandido. Eu acho que se meu irmão fosse branco e estivesse em Pitangueiras [bairro de alto padrão em Guarujá] nem olhar para ele eles não olhavam”.
Questionada sobre o conflito entre a versão da família de Marcos e da Polícia Militar, A SSP não respondeu porque, se o soldado portava um fuzil, ele não foi contido de forma não letal desde o início da abordagem policial. O órgão também não respondeu se está de acordo com os protocolos de abordagem da PM permitir que um suspeito portando um fuzil em uma bandoleira entre em luta corporal com um dos agentes e saque a arma.
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Segundo familiares, Marcos foi sepultado na manhã de ontem no cemitério da Saudade em Guarujá em meio a um sentimento de dor misturado com revolta.
“Um menino cheio de sonhos, que ia se formar em 15 dias, que era o sonho da vida dele. Ele pensava sempre no próximo antes dele. Era feliz”, disse Mayra, que completou. “Além de ele ter sido alvejado, ele foi tão chutado no rosto! Estava muito machucado, muito machucado. A gente quer justiça. Encontrar os culpados e eles pagarem na justiça o que eles fizeram”.