Polícia identifica e pede prisão de outros dois suspeitos de linchar homem em Guarujá

Primeiro suspeito está preso desde segunda. Delegado da Seccional de Santos descartou que motivação do crime tenha sido informação falsa de roubo e disse que desavença entre vítima e ex-namorada vai ser investigada

Da redação
Publicado em 10/05/2023, às 15h32 - Atualizado às 16h00

Osil morreu após ser espancado em Guarujá Vítima de fake news tem morte encefálica confirmada em Guarujá Foto de Osil e do momento de seu espancamento - Reprodução/Redes Sociais


A Polícia Civil disse que identificou outros dois suspeitos de espancar Osil Vicente Guedes, de 49 anos, e vai pedir a prisão preventiva de ambos por homicídio triplamente qualificado, cuja condenação pode render até 30 anos. O primeiro suspeito de envolvimento está preso preventivamente sob a mesma acusação desde segunda-feira (8).

Pequeno empresário de reciclagem, Osil morreu no domingo (7), cinco dias após ser brutalmente espancado em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá.

O anúncio dos pedidos de prisão dos outros suspeitos foi feito no final da manhã de hoje (10), no Palácio da Polícia, em Santos, pelo delegado da Seccional de Santos Rubens Teixeira e pelo delegado Fabrício Godinho, da delegacia Sede do Guarujá, onde corre o caso.



“Todos os três [suspeitos] estão sendo indiciados por homicídio triplamente qualificado. Um se apresentou e foi expedido mandado de prisão. Foram solicitadas as prisões preventivas dos demais”, explicou Teixeira.

“Três [suspeitos foram] identificados. Até agora duas prisões solicitadas”, explicou Godinho. “Dois deles a gente apurou que têm passagem pela polícia por tráfico, roubo. Esse terceiro, vai ser requerida [a prisão] até o final da tarde”.

Delegado da Seccional de Santos, Rubens Teixeira (à esquerda) e delegado Fabrício Godinho, da delegacia Sede do Guarujá 2 - Polícia identifica e pede prisão de outros dois suspeitos linchar homem em Guarujá Delegados em coletiva de imprensa (Imagem: Sistema Costa Norte)



Durante entrevista coletiva, o delegado da Seccional de Santos também informou que a investigação descartou que a motivação do crime tenha sido uma informação falsa de furto supostamente atribuída a Osil.

“Surgiu, logo de início, uma motivação que foi desconstruída, ou seja, de ele ter sido [acusado como] o autor do furto de uma motocicleta e ele teria sido espancado – o que não corresponde à verdade. Essa hipótese foi absolutamente desconstruída com a oitiva do proprietário da motocicleta”.

Escanteada aquela motivação, o delegado explicou que a polícia agora vai investigar uma “desavença” entre Osil e uma ex-namorada de quem a polícia apreendeu o aparelho celular. Segundo informações, o primeiro suspeito preso é ex-cunhado da mulher, uma psicóloga.



A nova linha de investigação surgiu após o irmão de Osil contar à polícia ter encontrado no celular dele uma mensagem de voz  em que Osil relatava uma briga com a ex-namorada, com quem havia rompido dias antes. Entre as mensagens, disse o irmão, também haveria um áudio em que Osil afirma que ‘tinha tomado uma surra’ a mando dela, o que teria provocado a última briga do casal.

Em depoimento no 2º DP de Guarujá na quinta-feira (4), a psicóloga disse que, após o término, Osil ameaçou se matar e, na noite de terça (2), um dia antes do linchamento, invadiu seu local de trabalho, onde ela também reside, destruiu objetos e só saiu quando ela acionou a Polícia Militar. 

Agora a polícia quer saber se Osil estava a caminho da casa dela novamente quando foi fatalmente espancado e se há alguma relação disso com o crime.



“A investigação, neste momento, está na fase que nós vamos delinear a motivação do crime”, informou Teixeira. "Segundo falaram, ele teria agredido [a ex-namorada], quebrado algumas coisas e, quando saiu na rua, ele foi espancado logo da primeira vez e teria voltado uma segunda vez nessa mesma rua, muito provavelmente em direção à casa da ex-namorada”.