Nova espécie de jararaca é descoberta na Ilha da Moela, em Guarujá

Pesquisadores do Instituto Butantan realizaram a descoberta e estudam o local e a espécie

Da redação
Publicado em 17/02/2022, às 13h56 - Atualizado às 16h01

Espécie é considerada ameaçada de extinção Nova espécie de jararaca é descoberta na ilha da Moela, em Guaruja Cobra no meio da folhagem - William W. Booker


A existência da jararaca-da-moela, Bothrops germanoi, foi descoberta na Ilha da Moela, em Guarujá, por um grupo de pesquisadores do Instituto Butantan. Esta espécie é considerada ameaçada de extinção.

Os herpetólogos do Butantan realizam estudos no local, e apontam para teorias de especiação - divisão de uma linhagem que leva ao surgimento de duas ou mais espécies distintas – nas ilhas brasileiras, tendo em vista que esta e outras espécies de jararaca vivem exclusivamente em ilhas.

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“Após alguns milhares de anos de isolamento, as fortes pressões seletivas provocaram diversas alterações na morfologia e na biologia dessas populações, resultando na diversificação de espécies insulares vistas atualmente”, explicou, ao G1, o herpetólogo Fausto Barbo.

Saiba mais

“As ilhas continentais brasileiras representam um laboratório natural para estudar a especiação impulsionada por divergências fenotípicas e genotípicas recentes. O grupo de espécies Bothrops jararaca está distribuído na Mata Atlântica brasileira e na maioria das ilhas continentais brasileiras. O grupo é atualmente composto pela lanceola-comum do continente ( B. jararaca ) e quatro espécies insulares ( B. alcatraz , B. insularis , B. otavioi e B. sazimai ).

Aqui, avaliamos o DNA mitocondrial e a diversidade morfológica da B. jararaca e visamos fornecer evidências adicionais para entender os processos de insularização na costa brasileira. Nossos resultados, interpretados em conjunto com uma ampla revisão de dados geomorfológicos, fornecem uma nova estrutura conceitual para a compreensão do processo de colonização das ilhas continentais brasileiras.



Essa estrutura sugere uma história de vários anos de isolamento e reconexão periódicos entre populações insulares e seus parentes do continente ao longo dos últimos 420 mil anos. Além disso, embora algumas populações insulares possam ter especiado antes da última era glacial, outras espécies provavelmente divergiram nos últimos 11 mil anos.

A evolução repetida de tamanho e mudança na dieta da B. jararaca sugere um caso notável de adaptação convergente. Nosso estudo fornece evidências de que o Bothrops da Ilha da Moela representa uma espécie não descrita, apresentando um fenótipo distinto e uma história exclusiva de isolamento e adaptação.

Descrevemos esta jararaca única como uma nova espécie e sugerimos que ela seja listada como criticamente ameaçada, com base em sua endemicidade em uma pequena ilha que é severamente impactada pela presença humana constante e de longa data”.



*Trecho retirado do resumo do artigo publicado pelos pesquisadores

 

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