Mãe e filho morrem em acidente de lancha

Costa Norte
Publicado em 09/05/2014, às 14h45 - Atualizado em 23/08/2020, às 14h18

- Costa Norte


Por Antonio Pereira

O feriado prolongado do Dia do Trabalho nunca mais será o mesmo para as famílias Vieira e Vicente, ambas de Suzano (SP).

O feriado prolongado do Dia do Trabalho nunca mais será o mesmo para as famílias Vieira e Vicente, ambas de Suzano (SP). Rita de Sá Vieira, 36 anos, e seu filho João Pedro Vicente, 3, morreram após ficarem presos entre a parte superior de uma lancha de 20 pés, que os transportava, e a areia, durante o resgate da embarcação que virou no mar da Prainha Branca, em Guarujá. O acidente, segundo os envolvidos, ocorreu após a embarcação ser atingida lateralmente por uma onda, na manhã de sexta-feira, 2. O número de pessoas na embarcação ainda gera polêmica. Para o analista em manutenção Cícero Romão de Oliveira, um dos passageiros da lancha, não ouve superlotação, o que foi desmentido posteriormente pelo condutor, o advogado João Bosco Correia de Lima, em depoimento à polícia. “Nós vínhamos em um grupo e o piloto iria retornar para buscar o restante do grupo. Foi tudo muito rápido e vai ser muito difícil para todos nós assimilar essa perda”. De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelo delegado Wagner Gouveia, o piloto não havia ingerido bebido alcoólica e será indiciado por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. No documento, o acusado reconheceu transportar oito pessoas, ou seja, uma a mais que o permitido. Testemunhas que estavam no local chegaram a afirmar que nove pessoas foram socorridas. Para o sargento do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBmar) Sérgio Lopes, que agradeceu aos moradores do local por socorrer as vítimas, o piloto executou uma manobra perigosa até mesmo por inexperiência de navegação no mar. “É do nosso conhecimento que ele tem experiência de navegar em rio, mas não a de mar. Ele poderia chegar perto do local, mas a recomendação era que ele não parasse, mas pelo que sabemos ele estava com o motor desligado”. O acidente aconteceu a menos de 100 metros da faixa de areia. O proprietário da náutica Ácqua Azul Orestes Alexandre Amparo Filho, responsável pela manutenção da lancha, lamentou o ocorrido e falou sobre as orientações dadas ao condutor. “Essa é uma tragédia que nos entristece profundamente. Nós recomendamos para ele não ir para a praia porque o mar estava revolto, mas ele optou por ir. Quanto à superlotação, nós temos imagens, que serão inclusive cedidas à Marinha, que comprovam que não existia superlotação na retirada do barco”, afirmou. Também presente no local do acidente, o capitão dos Portos Ricardo Gomes afirmou que será aberto um inquérito para apurar todas as causas do acidente. “Nós já verificamos toda a documentação do piloto e da lancha e não existem irregularidades. Num primeiro momento podemos dizer que essa praia não é propícia a este tipo de manobra, e talvez isso possa ter sido o fator preponderante”, ponderou. Os corpos das vítimas foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Guarujá e liberados no dia seguinte para o velório, que aconteceu no Cemitério São Sebastião, em Suzano. Em nota, a Capitania dos Portos do Estado de São Paulo disse que instaurará um inquérito sobre acidentes e fatos da navegação (IAFN), com prazo de conclusão de até 90 dias. O inquérito apurará as causas determinantes do acidente, bem como possíveis responsáveis.