Familiares relatam que homem deixa esposa, filhos e netos e que nunca havia assaltado antes; segundo parente, ele “era um trabalhador” lutando contra dependência química severa; parentes repudiaram comemorações da morte do homem nas redes sociais; homem morreu atropelado após assaltar caminhoneiro com um punhal
Da redação
Publicado em 16/04/2021, às 11h42 - Atualizado às 19h14
Um homem de 47 anos morreu atropelado por um caminhão no trecho do Guarujá (SP) da rodovia Cônego Domênico Rangoni (SP 055), nesta quinta-feira (15). De acordo com testemunhas, instantes antes, o homem havia assaltado um caminhão na rodovia e fugia de motocicleta quando caiu e acabou atropelado por outro caminhão que vinha atrás. Internautas comemoram a morte, familiares repudiaram e pediram empatia.
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Na manhã de quinta-feira, após assaltar um caminhão, armado com uma espécie de punhal, o homem se evadia de motocicleta, quando, segundo testemunhas, passou por uma lombada, perdeu o controle da moto e caiu na pista, sendo atropelado por um caminhão que vinha na rodovia.
Policiais militares confirmaram a tentativa de assalto. A prefeitura do Guarujá confirmou que o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas o homem já estava em óbito quando o resgate chegou ao local. De acordo com familiares, o homem sofria de dependência química.
Nas redes sociais, ao verem internautas comemorando o óbito do homem, familiares se manifestaram e esclareceram que ele lutava contra o vício em drogas.
“Ele era pai de família, trabalhador, estava doente da cabeça. Tudo que pegava do trabalho ia direto para a mão da esposa, pra ele não gastar com drogas. Ele estava roubando para sustentar um vício infeliz", esclareceu uma familiar, repudiando as comemorações à morte de um ser humano. “Vocês não têm empatia não, pessoal?”
Uma prima do homem também lamentou e repudiou as comemorações. “Ele tem família e filhos. Estava doente. Assaltou com um punhal, foi a primeira vez que aconteceu. Será que um objeto vale mais que a vida de alguém? Tenham um pouco de respeito, porque ele era pai e avô”.
A Polícia Militar instaurou boletim de ocorrência.
Uso abusivo de drogas não é vontade, é doença, diz medicina
Na Classificação Internacional das Doenças (CID), a dependência de álcool e de todas as substâncias psicoativas como o crack está na categoria "transtornos mentais de comportamento", sendo considerada uma doença crônica e recidivante (em que o doente tem recaídas), caracterizada pela busca e consumo compulsivo de drogas.
É consenso na medicina atual que a dependência de drogas não se configura em falha de caráter, como ainda creem muitos. Da mesma forma, o não abandono do vício, diz a medicina, não significa uma fraqueza de propósito do dependente da substância. Por analogia, alegar isso é como dizer que alguém não se curou de câncer porque não quis.
Diversos fatores que levam à dependência ainda são desconhecidos, no entanto sabe-se que o uso abusivo de drogas está ligado a predisposições biopsicossociais, isto é, a conjunção de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Similarmente, o êxito na superação do vício, também está ligado a tais fatores e, de acordo com especialistas, o apoio familiar é crucial na superação.