Segundo testemunha, chorume já atinge mangue e vegetação; condomínio promete melhorar; prefeitura diz que vai intensificar fiscalização
Da redação
Publicado em 21/02/2021, às 12h32 - Atualizado às 13h21
Há quem diga que a humanidade se comporta como uma praga ou uma infecção parasitária, devassando, destruindo e assolando tudo que encontra pela frente numa área e, depois, mudando para outro lugar onde reinicia o ciclo. Se a concepção é uma expressão de pessimismo exagerado, talvez ela seja verdadeira para uma região dita nobre do Guarujá, no litoral de São Paulo.
De acordo com reportagem deste domingo (21), do jornalista Carlos Ratton, do Diário do Litoral, no último dia 17, às 15h20, um pescador profissional, residente de uma área conhecida como Rabo do Dragão, no Guarujá, flagrou os loteamentos de luxo Iporanga e São Pedro, na mesma cidade, descartando lixo doméstico em um centro de compostagem de lixo orgânico localizado numa APA (Área de Proteção Ambiental) do Parque Serra do Guararu.
Na APA, que esta sendo degradada pelos condomínios de luxo, já conhecidos por outros abusos, como controle de acesso às praias, também há uma estrada turística ambiental.
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O pescador, que fotografou e filmou a irregularidade, chegou a alertar os funcionários que estavam no local.
O centro de compostagem fica na altura do km 18 da SP 061, a rodovia Ariovaldo de Almeida Viana, ou Estrada Guarujá Bertioga. O caso será encaminhado ao MP (Ministério Público).
Segundo o pescador declarou à reportagem do Diário do Litoral, o descarte irregular de resíduos ocorre ao menos há três meses. O homem, que pesca para ganhar a vida nas proximidades do canal de Bertioga, relatou que vinha sentindo um forte odor de podridão nas proximidades do mangue. Ele também declarou que resolveu tomar uma atitude pois o chorume está atingindo o próprio mangue e a vegetação, protegida por lei.
De acordo com o relato do pescador, os condomínios colocaram caçambas de lixo identificadas numa área fechada e controlada, o que impede o flagrante visual, porém o mal cheiro denuncia o mal feito.
O lixo, segundo a denuncia, funciona como um lixo normal: com toda sorte de resíduos das casas dos condomínios, o lixo é depositado no centro de compostagem, onde permanece soltando chorume e fedor até ser recolhido pela coleta. O centro de compostagem, porém, tem somente a finalidade de “armazenar e triturar restos de vegetação após podas de árvores e outros materiais orgânicos para posterior recolhimento”, apontou Ratton na reportagem.
Loteamento Iporanga
O condomínio de luxo informou que possui autorização da Cetesb (Companhia de Tecnologia Ambiental) e da prefeitura do Guarujá para dispor resíduos vegetais e orgânicos domésticos em caçambas no local, por até um dia para recolhimento do serviço de coleta municipal do Guarujá que seria também diário. As falhas são eventuais e corrigidas em 48 horas declarou o condomínio que também prometeu tomar providências junto à prefeitura para garantir a coleta diária do lixo, sem interrupções.
Prefeitura do Guarujá
A prefeitura do Guarujá informou ao DL que o centro de compostagem não é de propriedade do município sendo mantido pelo próprio condomínio. Ainda assim, declarou o órgão “fiscais da Secretaria de Meio Ambiente (Semam) estiveram no local na última quinta-feira (18) e intimaram o loteamento a regularizar a situação”.
Com informações de Diário do Litoral | Carlos Ratton