Coordenada pela equipe de Combate e Controle às Endemias, ação preventiva foi adiantada por causa dos impactos do fenômeno El Niño
Redação
Publicado em 23/09/2026, às 16h00
Uma grande varredura nos meios de hospedagem de Guarujá marca o início da Operação Checkout, preparação da cidade para a alta temporada de verão, voltada à inspeção rigorosa de 141 hotéis, pousadas e estabelecimentos turísticos.
O calendário foi adiantado para garantir a eliminação de potenciais focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, antes do aumento do fluxo de visitantes no litoral paulista.
A decisão de antecipar a mobilização, que tradicionalmente ocorria no mês de novembro, foi motivada pelas instabilidades climáticas e pelas projeções associadas ao fenômeno El Niño. As temperaturas elevadas combinadas com chuvas atípicas criam o ambiente ideal para a reprodução do vetor.
O setor hoteleiro recebe atenção prioritária devido à alta rotatividade de hóspedes e à presença de estruturas de grande porte que exigem atenção constante, como reservatórios de água, calhas, piscinas e áreas de lazer.
Até o momento, os agentes de saúde já concluíram a vistoria técnica em 55 locais. Durante os atendimentos, as equipes de campo não apenas aplicam larvicidas onde necessário, mas também fazem um trabalho educativo com gerentes e equipes de limpeza.
A proposta é instituir rotinas semanais de autoinspeção nos imóveis, impedindo que pequenos acúmulos de água parada se transformem em focos de infestação ao longo do período de férias.
A intensificação das fiscalizações no setor turístico ocorre em um momento de retração nos indicadores epidemiológicos da cidade. Balanços consolidados do setor de vigilância em saúde apontam uma queda expressiva no volume de notificações de dengue na comparação com os anos anteriores, demonstrando a eficácia das barreiras preventivas aplicadas no município.
No acumulado do ano, a cidade contabilizou 1.081 casos confirmados de dengue, redução significativa frente às 3.060 ocorrências registradas no mesmo período do ano passado. O número fica ainda mais distante dos picos críticos enfrentados em 2024, quando as confirmações ultrapassaram a marca de 8 mil casos.
As notificações de chikungunya também despencaram, passando de 141 registros para apenas duas confirmações no balanço mais recente, enquanto o vírus zika permaneceu sem ocorrências confirmadas.
A melhora do cenário é confirmada pelo Índice de Infestação Predial (LIA), que mede a presença de larvas do mosquito em amostragens de imóveis. A medição mais recente apontou uma taxa de 3,1%, o menor patamar registrado no município nos últimos anos, bem abaixo dos índices observados em períodos como 2022, quando a amostragem superou 9,7%.
Paralelamente às inspeções na rede hoteleira, o trabalho de prevenção se estende pelos bairros residenciais com metodologias alternativas. Um dos destaques é o uso do controle biológico com peixes da espécie Poecilia reticulata, conhecidos popularmente como "barrigudinhos".
Esses peixes são soltos em tanques desativados, lagos ornamentais e grandes reservatórios de água parada para devorar as larvas do Aedes aegypti sem a necessidade de produtos químicos.
Para os moradores, a rede pública disponibiliza a instalação gratuita de telas de proteção em caixas d'água residenciais. O serviço pode ser solicitado por qualquer morador que deseje vedar o reservatório de sua casa e evitar a postura de ovos pelo mosquito. O agendamento da visita técnica é feito pelo telefone (13) 3308 6562.
O cerco ao vetor inclui ainda vistorias periódicas em pontos estratégicos, como ferros-velhos, depósitos de reciclagem, cemitérios municipais e canteiros de obras, utilizando equipamentos de aspiração de insetos e promovendo ações educativas com estudantes da rede pública para reforçar os cuidados nas residências.