Estruturas milenares, compostas por camadas de areia e conchas sedimentadas, ainda podem ser encontradas em Guarujá, na região do Rabo do Dragão
Esther Zancan
Publicado em 08/04/2025, às 14h41
Você sabia que, há mais de 8 mil anos, os sambaquis já marcavam presença na região que atualmente abriga a cidade de Guarujá, no litoral de São Paulo? Essas estruturas milenares, formadas por camadas de conchas, areia e restos de alimentos, são o que restou dos primeiros grupos que habitaram a região. Do tupi, o termo sambaqui significa “amontoado de conchas” - derivado de tamba (concha) + ki (acúmulo)-, e se refere às construções formadas por camadas de areia e conchas sedimentadas que esses povos erguiam.
Os sambaquieiros viviam de frutos, peixes e moluscos, e são os vestígios destes povos (conchas, ossos e restos alimentares) que formam os sambaquis, cuja função ainda é incerta, podendo ser desde marcos territoriais até espaços funerários ou cerimoniais.
A cidade de Guarujá possui 15 sambaquis, entre eles Maratauá, Crumaú, Mar Casado e Buracão, localizados principalmente na região conhecida como Rabo do Dragão. Muitos sambaquis já desapareceram. O Forte São Felipe (localizado no extremo norte da ilha de Santo Amaro, na abertura do canal de Bertioga, data originalmente do século XVI, e foi erguido devido à necessidade da implantação de outra estrutura de defesa para o canal de Bertioga, além do Forte de São João, contra ataques indígenas) e a Ermida de Santo Antônio do Guaibê (capela construída no século XVI, no extremo norte de Guarujá, junto ao canal de Bertioga, e que foi uma das primeiras igrejas do Brasil, frequentada pelo padre José de Anchieta) tiveram sedimentos de sambaquis utilizados em suas construções.
O contato com os tupiniquins e outros povos ceramistas (grupos de pessoas que produziam objetos de cerâmica, como utensílios para cozinhar, transportar e armazenar alimentos) acelerou o declínio da cultura sambaquieira. Apesar de alguns sambaquis ainda estarem preservados em Guarujá, a Secretaria de Cultura do município reforça a importância de que cada cidadão faça a sua parte para proteger o que resta desse patrimônio histórico, para que ele possa perdurar para as gerações seguintes.
Com informações de Secretaria de Cultura de Guarujá
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