Costa Norte
Publicado em 23/05/2014, às 16h03 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h31
De modo geral, quando se fala em Guarujá, a primeira imagem que vem à cabeça é a das mais belas e badaladas praias do litoral paulista. Porém, além do potencial turístico, a cidade possui vocações portuária, comercial, náutica, aeroportuária e, também, agrícola. A Pérola do Atlântico possui um ambiente rural que corresponde a mais de 400 mil m², na estrada Guarujá-Bertioga, quilômetro 10,5 – Perequê. No local há uma comunidade de agricultores. Palmito pupunha, alface, hortelã, chuchu, maracujá, quiabo, laranja e berinjela são alguns dos produtos cultivados nos oito sítios distribuídos em 17 alqueires, com acesso por uma estrada de terra com 1.800 metros de extensão. Entre proprietários e alguns empregados, aproximadamente 50 pessoas moram no local, que ainda conta com a criação de tilápias, carpas e lambaris, além da horta hidropônica (técnica de cultivo sem solo, com raízes suspensas). São sete famílias de origem japonesa e uma portuguesa que habitam o espaço e vivem da agricultura no município desde o fim da década de 1960. Atualmente, já comercializam produtos para o Sofitel Jequitimar e alguns restaurantes, mas a meta da prefeita Maria Antonieta, que visitou o local na quarta-feira, 14, é organizar e fortalecer o segmento para que os produtores locais possam ampliar sua clientela. A prefeitura e a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento já acompanham o grupo, que, em fevereiro deste ano, criou a Associação dos Agricultores Familiares de Guarujá (Aafag). A ação do poder público visa potencializar o segmento, além da introdução gradual de produtos da agricultura familiar na merenda escolar. A cidade é pioneira nesta iniciativa na Baixada Santista. A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – Cati, órgão da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, é parceira da prefeitura na iniciativa. Newton Rodrigues, da Cati, é formado em zootecnia e atua com os técnicos da administração municipal. Ele disse: “A aproximação da comunidade com as políticas públicas é fundamental. O interesse da prefeitura faz com que o resultado tenha uma visão compartilhada. Guarujá pode trabalhar na região da economia solidária, organização dos agricultores e turismo rural. Isso é positivo para os agricultores, para a cidade e para outros grupos de referência de organização que queiram elaborar projetos de forma coletiva. Também é bom para os estudantes do ensino médio terem acesso ao conhecimento e a conceitos como economia solidária e sustentabilidade na prática”. O único português entre os japoneses, Manoel Bruno Brazão, mora no local desde 1969 e é criador de tilápias e carpas decorativas, além de cultivar palmeiras imperiais. Para ele, “este momento é histórico porque a prefeita e os seus projetos nos deram essa valorização. Estou aqui há 45 anos e é a primeira vez que a prefeitura se interessa pelo nosso trabalho”. Para a presidente da Aafag, Katia Akemi Unten, este será o início de um bom trabalho. “A agricultura familiar tem dificuldades para se manter no comércio e a parceria com a prefeitura e a Cati é uma saída para o fornecimento à merenda escolar e para não ficarmos na mão do atravessador. Estamos dando o primeiro passo e sonhamos em fazer uma parceria nos mesmos moldes do Caminhão do Peixe, com uma feira para agricultores”. Responsável pela horta hidropônica e a criação de lambaris, o morador Claudinei Naka já trabalha na área há 20 anos e acredita na consolidação do seu negócio. “É uma grande força nesta área da agricultura. Fornecemos para a merenda escolar da região, banco de alimentos, restaurantes e Sofitel Jequitimar”.